LIBERTANDO O CORCEL NA TEMPESTADE
Sá de Freitas

Nuvens negras! A tempestade desce!
Do Norte, enraivecido, sopra o vento!
Chispam raios! Eu abrigar-me tento
Em vão, pois nada abrigo me oferece.

A tempestade em sua fúria cresce!
Meu ligeiro cavalo faz-se lento,
O aguaceiro rola e mais violento,
Torna-se o vento e tudo se estremece.

Apeio e ao meu corcel dou liberdade,
Ele some! Enfrento a tempestade,
Por fim lugar seguro achar consigo.

E assim em meio aos temporais da vida,
Quando a minh'alma está quase vencida,
Liberto o medo e em Deus encontro abrigo.

 

 

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