|


Sou
uma corujinha chamada Anaicram e vou lhe
contar a minha história.
Morei
muitos anos no escritório do professor
Adhemar Bernardes Antunes, mestre
de geografia e coordenador regional do
projeto Rondon.
Quando
o projeto foi extinto, e o professor
aposentou-se,
ele
me doou, assim como toda sua biblioteca,
para
a
Biblioteca Municipal de São José do
Rio Preto.
E,
no meio daquele monte de livros, lá fui
eu toda
pomposa,
juntamente com uma pequena ampulheta
e
um abridor de cartas de Toledo,
para a nova moradia.

Desde
então, passei a ocupar um lugar de
destaque na sala
da
bibliotecária chefe Marciana Gomes
Lopes.
Minha
nova dona era uma pessoa muito querida,
que ajudou
a
fundar a ARPE - Associação
Rio-Pretense de Escritores,
juntamente
com Editor Lelé Arantes e a poetisa
Nídia Vacari Tezine.

Marciana
é uma entusiasta das artes em geral, e
sua sala vive cheia
de
escritores, artistas plásticos, atores
de teatro, músicos etc; dizem
até
que ela recebeu o título de Baronesa,
mas a posição em que eu,
Anaicram,
ficava na estante, nunca me permitiu ler o
que está escrito no
certificado
cheio de brasões, pendurado na parede em
diagonal.

Um
dia apareceu por aqui o Hudson Brick de
Carvalho, artista famoso
que
tem murais pintados na catedral, na
Câmara Municipal,
Casa da Cultura
e até na Teatro Municipal.
Assim
que me viu, foi logo dizendo:
"Mas
é um absurdo!
Justamente
o simbolo da sabedoria que deveria
ser
iluminado, pintada com uma cor tão
escura !?
Vou
levá-la e pintá-la com uma cor mais
iluminosa."

E
foi assim que adquiri esta minha cor
atual
(prateada)
que não é minha cor
original.
Fico
pensando porque ele não me deixou
sossegada...
O
tempo foi passando e, um dia, chegou à
Biblioteca
um
livro de autoria de um moço
bonito,
Arnaldo
Pereira Ribeiro, com o título de Crônicas ao
Entardecer.
E
na carta que o acompanhava, lá no
rodapé,
vinha
um desenho de uma corujinha branca muito
bonita
e o convite tentador para visitar o site
dele.

Que
surpresa agradável, que site
maravilhoso!
Naquele
instante, Marciana lançou um olhar
penetrante
para
mim e imediatamente entendi tudo...ainda
mais eu sendo uma ótima
representante
da família dos Titonídeos. Ela havia
decidido e eu concordei
plenamente
com ela: eu estaria muito bem
acompanhada entre as minhas
centenas de parentes, recebendo todo o
carinho e atenção que eu
mereço,
na casa do Autor do Livro.
Por isso, é
que eu fui embrulhada,
colocada em uma
caixinha especial
e enviada para São Paulo.

Espero
sinceramente chegar sã e salva em São
Paulo,
conhecer
esta capital que dizem ser maravilhosa,
o que
sempre
foi um sonho distante e agora realizado.
Maria
Regina, cá estou eu, uma legítima
caipira
para sua maravilhosa coleção - Anaicram
São
José do Rio Preto 17/10/2003
Design
by Kakauzinha®
|