A FESTA DE CYNTHIA E NYL

 

 Ela, doce e linda, uma menina, aos quase trinta anos. Ensimesmada, simples, quase nunca vista, porque vivia escondida em seu paraíso interior.

  Ela  era muito tímida, apesar de ser colaboradora e sempre disposta a auxiliar,  em detrimento de quaisquer senões.

 

Vivia numa casa pequena e ganhava um salário razoável. Seus diálogos não eram de todo um silêncio, às vezes produziam algum efeito externo,  embora suas negativas com seu próprio ser fossem o  êxito e a hesitação para não se estabelecer um vazio dado a perder  na sua visão de busca.

 

Sua aparência, bonita, morena, cabelos longos, cílios espessos, davam ao toucador, ao retrovisor,  ao espelho...; um mundo  especial de tudo capaz de exprimir beleza.

 

Apesar desse modo idiofantástico de ser, ela percebia  a proximidade e a distância. Via  bem longe, longe, quase como uma impossibilidade, uma dolorida impossibilidade, o reencontro com o que queria para si. Não estava envolvida com símbolos, mas sonhava com rituais e festas.

 

 Um cavalheiro moreno, vestido a caráter de grande ocasião,  levantou-se e dançou com ela, espargindo seu hálito perfumado, no rosto moreno, trazendo o sonho para o real e ela dançou, com seus dedos bailarinos, delicados, seus braços pedindo dengos, abraços e as pernas eram asas que faziam da valsa um segredo arpejado em sua alma.

 

Aquilo tudo parecia loucura, mas era uma festa de casamento preparada por tantas pessoas que passaram em sua vida; as que seguiram e as que ficaram e ela estava contente, banhada de purpurina, assustada com a surpresa, mas tocando a felicidade com as mãos.

 

Olhou cada um dos presentes, fazendo o reconhecimento prosaico de sua passagem na vida. Porque o salão transformou-se num salão de festas? Porque foi a maneira mais plácida de lhe prestarem aquela homenagem, algo feito por um mago que capturou seus sonhos.

 

O tempo não existia, estava tudo suspenso no ar e a valsa foi substituída por um tango, depois por um bolero antigo e seu rosto colado ao do mesmo cavalheiro, ouvia os aplausos, as velas apagadas num bolo de confeite marfim.

 

Não havia relógio e o marcador do tempo era o saber, pétalas de rosas atiradas ao vento, votos de alegrias sempre, felicidade, paz e harmonia... Parabéns! Tudo místico, rosado, incensado, como o é a alma dos deuses.

 A dimensão do tempo sumiu. 

Era o seu casamento com Nyl.

 

 

 

Original de Margarida Reimão

adaptado por Regina Ribeiro

23/03/2003

 

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