
Anaile
Aiam
Sou aqui a representante das assistentes sociais. Trabalhei com a
Regina por 16 anos.
Nos
vemos poucos porque continuo trabalhando e criando meus 3 filhos.
Sempre
estive preocupada com as informações escolares que são
passadas para as crianças sobre os animais. Por isso escolhi
este escrito sobre a visão das corujas para orientar aqueles
pais que nos escrevem semanalmente pedindo alguma informação
a respeito.
Divirtam-se
Visão
das aves
As corujas, mochos e bufos, são predadores especializados,
não de uma presa em particular,
mas no facto de caçarem à noite!
As características
que lhes permitem fazê-lo,
deram-lhes uma aparência invulgar: uma visão e uma audição
muito desenvolvidas;
um crânio de grandes dimensões (onde acomodam as aberturas
dos ouvidos e dos olhos,
muito superior ao das outras aves).
A principal
característica visual das rapinas nocturnas, deriva do facto
destas, possuírem olhos tubulares, onde acomodam
uma lente córnea muito espessa, que lhes reduzem o campo de
visão, tornando-lhes os olhos imóveis, permitindo-lhes
apenas um ângulo de visão de 110º, muito pequeno
relativamente aos humanos, que é de 180º, ou ao do pombo
(generalidade das aves) que é de 340º. Esta deficiência,
é colmatada pelo pescoço, muito flexível, que
lhes permite rodar a cabeça totalmente para trás.
Os olhos destas
aves, estão direccionados para a frente, o que lhes dá
uma visão binocular, e uma boa capacidade de avaliação
das distâncias.
Muitos autores
referem que os olhos das aves de rapinas nocturnas, são ricos
em células sensíveis à intensidade luminosa,
em detrimento das cores, porém eu, pessoalmente discordo dessa
teoria, pois que estou convicto de que estas, têm uma relação
luz/cor idêntica às das outras aves e que as rapinas
nocturnas conseguiram desenvolver um outro factor: audição.
No entanto, o factor científico, em mim, está pouco
desenvolvido...
Tentarei ser
o mais objectivo, no que realmente está convencionado!
O êxito
das rapinas nocturnas, alia-se particularmente ao ouvido, pois que
estas são extremamente sensíveis ás altas frequências,
através de um disco facial, que é parte
do órgão auditivo, constituído por uma camada
de penas, onde se reflectem os sons, que se direccionam ao ouvido,
tal como nos mamíferos se direccionam às orelhas.
As outras aves,
não dispõem deste pavilhão auditivo externo,
como as rapinas nocturnas possuem, pregas cutâneas,
ou seja, ouvido externo que serve para captar os sons e direccioná-los
ao orifício auditivo(ouvido).
Acredita, que
isto é tudo muito complicado e na verdade, estes orifícios
são de fácil percepção aquando temos uma
destas aves, à mão, e à medida que se vai falando,
também se vai mostrando, porque são bem visíveis.
Por exemplo,
uma rapina nocturna, consegue capturar um pequeno roedor, em plena
escuridão de uma floresta, apenas pelo caminhar dele, debaixo
das folhas secas!
A fim de poderem
ouvir a presa, sem a assustar, as rapinas nocturnas estão adaptadas
a um voo silencioso!
No meio onde
resido, só existem duas espécies de rapinas: Buteo buteo
e Asio otus, uma diurna e outra nocturna, facto que me limita de conhecer,
directamente, o mundo das rapinas!
O Asio otus,
possuí mais de 10.000 penas e isto, permite-lhe outra faculdade
para poder caçar de noite, o factor surpresa, de voarem sem
fazer barulho.
Este número
de penas, penugentas e muito macias, dão-lhes aquele perfil
de arredondados, tornando-as muito maiores que àquilo
que verdadeiramente são!
As penas das
asas têm uma franja macia nos bordos, que facilitam
a passagem do ar.
Todos estes factores,
ligados à extrema leveza, às asas e à envergadura
dão-lhe um modo de voar silencioso e eficiente durante as suas
caçadas.
O bico é
forte, muito encurvado em forma de gancho (isto para não intervir
no limitado campo de visão); as patas são fortes com
dedos com garras poderosas e bem afiadas, que servem para agarrar
e matar as presas e, outra particularidade, é a do dedo reversível
que pode apontar para a frente como para trás, conforme a necessidade
de fixação e preensão, da presa; as patas são
relativamente curtas, cobertas de penas, que talvez lhes
permitem a regulação da temperatura e de eventuais mordeduras
( no entanto, os Mochos-pesqueiros, que capturam presas da água,
não têm penas nas patas e ainda os Mochos-buraqueiros
e outras espécies terrícolas, têm patas compridas).
Métodos
de caça:
A caça começa pela audição, localizando
a presa. Segue a inspecção do terreno, para se certificar
que nenhum obstáculo se interpõem na linha de ataque.
Prossegue com um curto voo, silencioso e culmina quando as garras,
com dois dedos dirigidos para a frente e dois para trás se
fecham, accionados pelos fortes músculos tíbiais
sobre a presa. A seguir a presa é devorada, mas esta tarefa
aparentemente simples, é na realidade bastante complicada,
precisamente pela imobilidade dos olhos, então este problema
é resolvido tragando a presa inteira (excepto as demasiado
grandes, onde não existe este problema e então, elas
desmembram-nas).
Porém, há partes das presas indigeríveis ( pêlos,
penas, ossos, garras, etc.), daí que têm que ser regurgitados.
No Alentejo, ao Bubo bubo (Bufo-real), chamam-lhe Miauuus!
Não percebi bem porquê, até que alguém
me explicou: ...eles caçam gatos e no ar os gatos vão
a gemer! Este episódio é só para te exemplificar
o poderio das rapinas nocturnas, relativamente à suprema agilidade
de um gato.
Se há
ave que eu realmente adoro, são as rapinas nocturnas, particularmente
o Asio otus, que já tive a oportunidade de recuperar 3 destas
aves feridas e já dividi a minha casa com, mais ou menos, uma
dezena. É real que a caça tem que começar por
ser educada antes de se tornar comercializada...
De todas as aves
que me chegaram, para uma tentativa de recuperação,
só uma não era vítima do cano de uma espingarda!
Tentei não especular muito e espero, que consigas perceber
o que descrevo e que seje isto que andes à procura!
E para finalizar, vou-te confessar uma coisa:
Tudo o que for dito hoje em relação à natureza,
amanhã poderá não passar de pura especulação,
ou até, de um erro crasso!


Saudações Ornitológicas,
Buteo
buteo"
19
Outubro de 2000
Pensamento
Aprenda a viver coletivamente mantendo a originalidade de seu ser.
(João
Moura)
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Claudia Ribeiro