|

NUTRIÇÃO
TABELA DE ÍNDICE GLICÊMICO

O índice glicêmico, ou glicemia, (IG) é
um fator que diferencia os carboidratos, e está relacionado com o
nível de açúcar no sangue.
Sempre que ingerimos carboidratos, estes entram na corrente
sanguínea com diferentes velocidades. Com base nesse fato, é
possível classificá-los: quanto mais rápido o seu ingresso, maior
será a libertação de insulina pelo pâncreas, pois o corpo tenta
equilibrar os níveis de açúcar.
A escala, indicada em percentagens, baseia-se na ingestão do pão
branco como comida padrão, assumindo-se IG igual a 100. Há também
quem tome a glicose como valor de referência (100) por ser a
substância com IG mais elevado.
Alimentos que afetam pouco a resposta de insulina no sangue são
considerados de baixo valor glicêmico, e os que afetam muito, de
alto valor glicêmico.
A insulina é um hormônio que tem o poder de transportar o açúcar
para dentro das células dos músculos, onde, no fígado, se deposita
na forma de glicogênio; estes depósitos, entretanto, têm uma
capacidade limitada, o que faz com que todo o excesso de glicose no
sangue seja convertido em ácidos gordurosos e triglicerídeos, que
serão armazenados sob a forma de gordura. Caso o indivíduo continue
ingerindo alimentos de alto IG, o seu organismo começa a adquirir
resistência à insulina, uma vez que o seu corpo começa a produzir
uma quantidade maior de insulina.
O índice glicêmico é, portanto, um indicador baseado na habilidade
da ingestão do carboidrato (50g) de um dado alimento elevar os
níveis de glicose sanguínea pós-prandial, comparado com um alimento
referência, a glicose ou o pão branco.
* * * * * * * * * *
- O corpo não absorve e digere todos os carboidratos na mesma
velocidade;
- O índice glicêmico não depende se o carboidrato é simples ou
complexo. Ex: o amido do arroz e da batata tem alto índice glicêmico
quando comparado c/ o açúcar simples (frutose) na maçã e pêssego, os
quais apresentam um baixo índice glicêmico.
- Fatores como a presença de fibra solúveis, o nível do
processamento do alimento, a interação amido-proteína e
amido-gordura, podem influenciar nos valores do índice glicêmico.
Alimentos de alto índice glicêmico (> 85)
Alimentos de moderado índice glicêmico (60-85)
Alimentos de baixo índice glicêmico (< 60)
|
ALIMENTO
|
IG
|
ALIMENTO
|
IG
|
|
Bolos |
87 |
Cuscus |
93 |
|
Biscoitos
|
90
|
Milho |
98 |
|
Crackers |
99
|
Arroz branco |
81 |
|
Pão branco |
101 |
Arroz
integral |
79 |
|
Sorvete |
84 |
Arroz
parboilizado |
68 |
|
Leite
integral
|
39 |
Tapioca |
115 |
|
Leite
desnatado |
46 |
Feijão
cozido |
69 |
|
Iogurte com
sacarose |
48 |
Feijão
manteiga |
44 |
|
Iogurte sem
sacarose |
27 |
Lentilhas |
38 |
|
All Bran |
60
|
Ervilhas |
68 |
|
Corn Flakes |
119 |
Feijão de
soja |
23 |
|
Musli |
80 |
Spaguete
|
59 |
|
Aveia |
78 |
Batata
cozida |
121 |
|
Mingau de
aveia |
87 |
Batata frita |
107 |
|
Trigo cozido |
105 |
Batata doce |
77 |
|
Farinha de
trigo |
99 |
Inhame |
73 |
|
Maçã |
52 |
Chocolate |
84 |
|
Suco de maçã |
58 |
Pipoca |
79 |
|
Damasco seco
|
44 |
Amendoim |
21 |
|
Banana |
83 |
Sopa de
feijão |
84 |
|
Kiwi
|
75 |
Sopa de
tomate |
54 |
|
Manga |
80 |
Mel
|
104 |
|
Laranja |
62 |
Frutose
|
32 |
|
Suco de
laranja |
74 |
Glicose
|
138 |
|
Pêssego
enlatado |
67
|
Sacarose |
87 |
|
Pêra |
54 |
Lactose |
65 |
|
RECOMENDAÇÕES GERAIS DE CARBOIDRATO
PARA PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA:
· Atletas que treinam intensamente diariamente devem ingerir de
7-10g de carboidratos/kg de peso/dia ou 60% do VCT (Burke & Deakin,
1994);
· Pessoas que se exercitam regularmente deveriam consumir de 55 a
60% do total de calorias diárias sob a forma de carboidratos e
indivíduos que treinam intensamente em dias sucessivos, requerem de
60 a 75% (ADA, 2000);
· 6-10g de carboidrato/kg/dia (ADA, 2000).
RECOMENDAÇÕES DE CARBOIDRATO
PARA ATIVIDADES DE FORÇA:
· 55 a 65% (ADA, 2000)
· Kleiner (2002): 8,0-9,0g/kg de peso/dia (manutenção), 8,0-9,0g/kg
de peso/dia (hipertrofia muscular) e 5,0-6,0g/kg de peso/dia
(hipertrofia muscular e redução do percentual de gordura ao mesmo
tempo)
RECOMENDAÇÕES PRÉ-EXERCÍCIO
- nas 3-4 horas que antecedem:
· 4-5g de carboidrato/kg de peso
· 200-300g de carboidrato (ADA, 2000)
Objetivo 1: permitir tempo suficiente para digestão e absorção dos
alimentos (esvaziamento quase completo do estômago)
Objetivo 2: prover quantidade adicional de glicogênio e glicose
sanguínea
Objetivo 3: evitar a sensação de fome
OBS.: geralmente consiste em uma refeição sólida
Diferente dos efeitos contraditórios da ingestão de carboidratos 30
a 60 minutos antes do exercício, a eficiência desse consumo 3 a 6
horas antes do exercício no rendimento físico é observada, em função
de haver tempo suficiente para síntese de glicogênio muscular e
hepático e a disponibilidade de glicose durante a realização do
exercício. Preservar este período de tempo também favorece o retorno
dos hormônios, especialmente insulina, as concentrações fisiológicas
basais
(El Sayed et al., 1997).
- 1 hora antes: 1-2g de carboidrato/kg de peso
OBS.: dar preferência aos repositores energéticos líquidos
Objetivo: são de mais fácil digestão
Após uma refeição contendo carboidratos, as concentrações
plasmáticas de glicose e insulina atingem seu pico máximo,
tipicamente entre 30 - 60 minutos. Caso o exercício seja iniciado
neste período, a concentração plasmática de glicose provavelmente
estará abaixo dos níveis normais. Isto acontece possivelmente devido
a um efeito sinergético da insulina e da contração muscular na
captação da glicose sangüínea (Jeukendrup et al ,1999).
Durante o exercício a disponibilidade da insulina para a captação de
glicose é muito pequena. Estudos indicam que o aumento da velocidade
de transporte com o aumento da atividade contrátil relaciona-se com
a maior ativação de transportadores de glicose que, no caso do
músculo esquelético, é o GLUT4 (Júnior, 2002).
A magnitude da captação de glicose pelo músculo esquelético está
relacionada com a intensidade e a duração do exercício, aumentando
proporcionalmente com a intensidade.
É válido consumir carboidrato 1 hora antes do exercício?
Dentre os estudos que analisam os efeitos do consumo dos
carboidratos glicose, frutose e polímeros de glicose, 1 hora antes
de exercícios, realizados a uma intensidade de 70% a 80% do VO2 max.,
encontraram efeitos negativos: Foster et al. (1979); nenhum efeito:
Mc Murray et al. (1983), Keller & Schgwarzopf (1984), Devlin et al.
(1986) e Hargreaves et al. (1987); e, finalmente, efeitos positivos
foram relatados por Gleeson et al. (1986); Okano et al. (1988) e
Peden et al. (1989).
Qual a melhor fonte de carboidrato a ser utilizada 1 hora antes
do exercício?
Thomas et al. (1991), compararam as respostas bioquímicas e
fisiológicas de ciclistas treinados que ingeriram a mesma porção de
alimentos de alto índice glicêmico (glicose e batata) e de baixo
índice glicêmico (lentilhas), 1 hora antes do exercício. A
alimentação com baixo índice glicêmico produziu os seguintes
efeitos:
1) nível menor de glicose e insulina 30 a
60 minutos após a ingestão,
2) maior nível de ácidos graxos livres,
3) menor oxidação de carboidratos durante
o exercício e
4) período de realização do exercício 9 a
20 minutos maior que o tempo correspondente aos dos indivíduos que
ingeriram a refeição de alto índice glicêmico.
Conclusão, devemos priorizar carboidratos de baixo índice glicêmico
Objetivo1: indivíduos suscetíveis a queda da glicemia não
devem ingerir carboidratos de alto índice glicêmico para evitar a
Hipoglicemia Reativa
Objetivo 2: níveis elevados de insulina inibem a Lipólise, o
que reduz a mobilização de ácidos graxos livres do Tecido Adiposo,
e, ao mesmo tempo, promovem aumento do catabolismo dos carboidratos.
Isto contribui para a depleção prematura do glicogênio e fadiga
precoce
OBS.: o consumo de alimentos muito doces também podem provocar,
enjôos e diarréia
- imediatamente antes (15 min. antes): 50-60g de polímeros de glicose
(ex. maltodextrina - carboidrato proveniente da hidrólise parcial do
amido).
Segundo Coogan (1992) esta ingestão é similar à ingestão durante a
atividade física e pode melhorar o desempenho.
RECOMENDAÇÕES DURANTE O EXERCÍCIO
- Quantidade:
· 30-60g de carboidrato/hora (ADA, 2000; Driskell, 2000);
· 0,7g de carboidrato/kg/hora (ADA, 2000)
· 40-75g de carboidrato/hora (El-Sayed et al., 1995)
Objetivo 1: manter o suprimento de 1g de carboidrato/minuto,
retardando a fadiga em, aproximadamente, 15-30 min., por poupar os
estoque de glicogênio
Objetivo 2: manter a glicemia, prevenindo dores de cabeça, náuseas,
etc.
"A Gliconeogênese pode suprir glicose numa taxa de apenas 0,2-0,4g/min.,
quando os músculos podem estar consumindo glicose a uma taxa de
1-2g/min."
(Powers & Howley, 200).
"A suplementação de carboidratos durante o exercício é muito
eficiente na prevenção da fadiga, porém deve ser ingerida durante
todo o tempo em que a atividade está sendo realizada ou, pelo menos,
35 minutos antes da fadiga devido à velocidade do esvaziamento
gástrico" (El-Sayed et al.,1995).
Quando o consumo de carboidratos durante o exercício se faz
necessário?
"Após 2 horas de exercício aeróbio de alta intensidade poderá haver
depleção do conteúdo de glicogênio do fígado e especialmente dos
músculos que estejam sendo exercitados" (Burke & Deakin, 1994;
Mcardle, 1999)
Segundo Bucci (1989), o consumo de carboidratos durante a atividade
física só aumentará efetivamente o rendimento se a atividade for
realizada por mais de 90 minutos a uma intensidade superior a 70% do
VO2 máx.
De acordo com Driskell (2000) o consumo de carboidrato parece ser
mais efetivo durante atividades de endurance que durem mais de 2
horas.
O consumo de carboidratos durante o exercício parece ser ainda mais
importante quando atletas iniciam a atividade em jejum, quando estão
sob restrição alimentar visando a perda de peso ou quando os
estoques corporais de carboidratos estejam reduzidos ao início da
atividade (Neufer et al., 1987; ADA, 2000). Nestes casos, a
suplementação de carboidratos pode aumentar o rendimento durante
atividades com 60 minutos de duração.
Qual a melhor fonte de carboidrato a ser utilizada durante o
exercício?
"Muitos estudos demonstram que glicose, sacarose e maltodextrina
parecem ser igualmente efetivos em melhorar a performance" (Driskell,
2000)
Segundo a ADA (2000), o consumo durante o exercício deve ser,
preferencialmente, de produtos ou alimentos com predominância de
glicose; a frutose pura não é eficiente e pode causar diarréia,
apesar da mistura glicose com frutose ser bem tolerada.
RECOMENDAÇÕES PÓS-EXERCÍCIO
- Quantidade:
· 0,7-3g de carboidrato/kg de peso de 2 em 2 horas, durante as 4-6
horas que sucedem o término do exercício;
· 0,7-1,5g de glicose/kg de peso de 2 em 2 horas, durante as 6 horas
após um exercício intenso + 600g de carboidrato durante as primeiras
24 horas
(Ivy et al., 1998);
· 1,5g de carboidrato/kg de peso nos primeiros 30 minutos e
novamente a cada 2 horas, durante as 4-6 horas que sucedem o término
do exercício (ADA, 2002);
· 0,4g de carboidrato/kg de peso a cada 15 minutos, durante 4 horas.
Neste caso observa-se a maior taxa de recuperação do glicogênio,
porém o consumo calórico acaba excedendo o gasto energético durante
o exercício
Objetivo: facilitar a ressíntese de glicogênio
Segundo Williams (1999) durante 24 horas, a taxa de recuperação do
glicogênio é de aproximadamente 5-7%/hora.
Qual o melhor intervalo de tempo para o consumo de carboidrato
após o exercício?
O consumo imediato de carboidrato (nas primeiras 2 horas) resulta em
um aumento significativamente maior dos estoques de glicogênio.
Assim, o não consumo de carboidrato na fase inicial do período de
recuperação pós-exercício retarda a recuperação do glicogênio (Ivy
et al., 1988). Isto é importante quando existe um intervalo de 6-8
horas entre sessões, mas tem menos impacto quando existe um período
grande de recuperação (24-48 horas). Segundo a ADA (2000) para
atletas que treinam intensamente em dias alternados, o intervalo de
tempo ideal para ingestão de carboidrato parece ter pouca
importância, quando quantidades suficientes de carboidrato são
consumidas nas 24 horas após o exercício.
Qual a melhor fonte de carboidrato a ser utilizada após o
exercício?
A recuperação dos estoques de glicogênio pós-exercício parece
ocorrer de forma similar quando é feito o consumo tanto de glicose
quanto de sacarose, enquanto que o consumo de frutose induz uma
menor taxa de recuperação. Conclusão, devemos priorizar os
carboidratos de alto índice glicêmico (Burke & Deakin, 1994).
* * * * * * * * * *
Fonte:
Apostila: Nutrição aplicada à atividade física
autora: Profa. Letícia
Azen - Consultora em Nutrição CDOF
FAO/OMS. Carbohydrates in Human Nutrition, 1998.
* * * * * * * * * *
Voltar
para Corujando Dia e Noite
~ Webdesign by Marcia Salgado ~
Lothlorien
 |