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Arnaldo P.
Ribeiro
“Há mais coisas no
viver do que acelerar seu ritmo”.
“A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte”.
(Mahatma Gandhi)
Qualidade de vida foi um termo que surgiu como conceito de condições
de vida no trabalho, como um conjunto de aspectos de bem estar,
saúde e segurança física, mental e social, capacidade de desempenhar
atividades com segurança e com máximo aproveitamento possível da
energia de cada trabalhador (produtividade). Todos esses aspectos se
baseavam em condições e instrumentos de trabalho disponibilizados
pelas empresas empregadoras, quer de maneira compulsória (para
atender à legislação pertinente), quer de maneira voluntária (para
atender a demandas internas dos funcionários através das Cipas ou
dos próprios sindicatos).
Apesar dos progressos realizados nesse campo, a partir da última
década do último milênio, algumas organizações ainda relutam em
eliminar aspectos indesejáveis e mesmo desumanos de seu próprio
sistema de trabalho. As capacidades individuais legítimas de pessoas
continuam sendo restringidas de forma autocrática dentro de
escritórios ou de fábricas. São capacidades que, quase sempre, estão
relacionadas a potenciais emotivos e intelectuais. São capacidades
freqüentemente negadas, ou mesmo de alguma forma punidas, em nome de
uma produtividade que quase nunca tem a ver com elas.
O pior é que isso ocorre justamente nos dias de hoje, quando as
organizações mais carecem de executivos criativos, inovadores e
comprometidos com objetivos e metas, para que essas mesmas
organizações sejam bem sucedidas na sua luta incessante para
competir e sobreviver nesta nova economia em que vivemos.
A qualidade das relações de trabalho tem conseqüências
incontestáveis na saúde das pessoas e na saúde das organizações.
Entretanto, a questão da saúde, por si só, representa tão somente um
assunto de importância secundária na agenda das próprias
organizações, principalmente quando se leva em conta os conceitos
equivocados daquilo que geralmente é considerado como “trabalho
sadio”: chegar cedo, sair tarde e levar trabalho para casa nos fins
de semana são iniciativas ainda vistas como eficiência, esforço
meritório e “camisa vestida”. O desgaste físico e mental decorrente
desses exageros provoca doenças, além de problemas emocionais e de
relacionamento pessoal, mas será recompensado com a gratificação
anual de produtividade ou de participação nos resultados. Além
disso, para curar o “stress” há trinta dias de férias todos os anos.
A busca da excelência na gestão e no desenvolvimento empresarial fez
com que várias organizações brasileiras passassem a encarar a
qualidade de vida no trabalho de maneira mais consciente, adequada e
inovadora, provocando a quebra de vários paradigmas. Afinal, o
próprio desenvolvimento da humanidade foi o resultado de uma
contínua quebra de paradigmas.
Hoje, são destaque entre as organizações brasileiras aquelas que
assumiram a vanguarda nessa nova visão de um ambiente de trabalho
realmente sadio e saudável. Assim, qualidade de vida no trabalho já
se tornou prioritária na agenda empresarial. Passa a ser fator de
produtividade, de distinção entre empresas, de competitividade, de
sucesso e de futuro nos negócios.
Mais recentemente, a legislação de proteção ao meio ambiente e as
normas internacionais de gestão ambiental adicionaram ao conceito de
qualidade de vida as características relacionadas com a existência
de áreas verdes preservadas, água limpa, ausência de poluição
atmosférica e outros aspectos que são traduzidos como condições
desejáveis de moradia. Tais aspectos, entretanto, estão ao alcance
de uma pequena parcela da população capacitada financeiramente para
tal ou são privilégio daquelas pessoas que, abrindo mão dos
atrativos, fogem da violência, da confusão e da poluição
generalizada das metrópoles e vão morar nas bucólicas cidadezinhas
do interior.
Gostaria, finalmente, de comentar sobre qualidade de vida de uma
maneira mais ampla, focando os aspectos pessoais da nossa vida
cotidiana. Vamos falar de amor?
Nada disso, não é o que eu penso que vocês estejam pensando.
Esqueçam temas como dor de cotovelo, novelas da televisão ou filmes
como Casablanca.
Li recentemente um livro que é “best seller” há quase um ano e cujo
exemplar ganhei de presente de minha filha Cláudia, com a
prestigiada dedicatória do autor. Recomendo a todos, que agora me
lêem, que o leiam. Trata-se de “O Monge e o Executivo” (tradução do
original “The Servant”, autoria de James C. Hunter). A pretexto de
um livro destinado a ensinar conceitos básicos para a efetiva
liderança, acaba por tornar-se um verdadeiro manual de convivência,
capaz de nos transformar em pessoas melhores e capacitadas a
adicionar qualidade às nossas vidas e às vidas das pessoas que nos
cercam.
Hunter nos ensina os “sentimentos do amor” que, segundo ele, são a
paciência, a bondade, a humildade, o respeito, a generosidade, o
perdão, a honestidade e a confiança. Leiam Hunter e passem, como eu,
a entender que qualidade de vida é algo que nos acompanha sempre,
não importa como ou onde estejamos.
Qualidade de vida talvez seja outro nome para felicidade, algo que
possamos sentir como uma aura de energia composta por
características (ou seriam virtudes?) que não são assim tão difíceis
de cultivar, desde que tenhamos a real disposição de fazê-lo. Nossos
entes queridos, familiares, amigos, vizinhos e até mesmo nosso
próximo são motivos suficientes para justificar tal disposição.
Arnaldo P. Ribeiro®
28/10/2005
Arnaldo Pereira Ribeiro é Engenheiro Metalúrgico
pela UFRGS. Trabalhou durante 28 anos na indústria de autopeças,
atuando sempre nas áreas de tecnologia e qualidade (foi executivo da
antiga Metal Leve SA. Indústria e Comércio), foi Presidente do
Inmetro e Juiz da Banca Examinadora do Prêmio Nacional da Qualidade,
ciclo 2003. Entre suas atividades atuais, é Representante da
Presidência do Inmetro no estado de São Paulo.
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