Ao Meu Pai Manoel Ribeiro


Arnaldo P. Ribeiro          

 

 

Meu pai foi um trabalhador. Honrado trabalhador. O fruto do seu trabalho permitiu-lhe muitas coisas: uma mesa sempre farta, filhos educados, casa própria, uma vida digna e, sobretudo, respeito dos vizinhos, dos amigos e dos clientes. Se não amealhou muitos bens, a explicação talvez esteja na sua simplicidade: ele se contentava com pouco. O coração do português baixinho era muito grande. Ele estava sempre disposto a ajudar o parente, o amigo, o cliente. E fazia isso sempre que podia. Mesmo quando não devia.

Meu pai também foi um pecador. Como somos todos. Mas não consigo lembrar dos seus pecados, pois, das minhas memórias, consigo recuperar apenas cenas singelas de um colo protetor, de um abraço forte, de um olhar de admiração ao me ouvir, de um sorriso feliz por me ver, de uma lágrima brilhante no despedir.

Meu pai não conheceu academia. Teve pouca escola além da vida, que tudo lhe ensinou. Mas foi, para mim, um grande professor. Com ele aprendi valores que me guiaram até aqui. Com ele aprendi que a simplicidade também pode ser uma virtude e que há coisas que não valem seu preço porque só nos trazem falsas ilusões. Mas ele também me ensinou que mais vale um gosto que seis vinténs e que o que se leva desta vida é o que se come e o que se bebe. E, acima de tudo, ele me ensinou a grandeza do trabalho, a nobreza do caráter e a riqueza da honestidade.

Esta homenagem a um homem simples busca resgatar uma dívida: devo a meu pai um reconhecimento que poderia ter sido inscrito em sua lápide, quando ele nos deixou há vinte anos:

"Ao meu pai, Manoel Ribeiro, que pouco estudou, mas muito aprendeu. Que pouco tinha, mas muito deixou. Que pouco falava, mas muito sentia. Que investiu tudo o que podia para fazer deste seu filho não apenas uma pessoa educada, mas, e principalmente, um homem de bem. Quisera ter tido mais tempo ao lado dele.”

 

Arnaldo P. Ribeiro®

19/07/2005

 

 

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