Arnaldo P. Ribeiro
São Paulo, 30 de novembro de 2007

 

Meus queridos,
o que muitas pessoas não sabem, e só descobrem muito tarde, para a infelicidade geral, é que o que se passa para os filhos e para os netos não são valores materiais.
Esses, vocês podem preservar, ou pior, esconder do contato alheio, da inveja e da cobiça estranha. E, assim fazendo, vocês não geram a felicidade nem a desfrutam .
O que se passa para os filhos e para os netos e para os filhos e netos dos netos (e que poderá ficar gravado na história ou mesmo na tradição da nossa família) são as lembranças, as memórias, as palavras faladas ou escritas, as cenas, as ações, as histórias contadas e aprendidas na infância, os bons exemplos, as lições de vida.
Desejo que meus netinhos lindos possam guardar, na memória e no coração, a lembrança deste avô. Mas que essa lembrança possa ser feita de carinhos, de coisas boas, de horas felizes, de momentos alegres, de histórias prazerosas ou de ensinamentos úteis e que traga a eles a vontade de contar do avô para os seus próprios filhos.
Que eu possa viver o suficiente para enriquecer essa lembrança.
Não haverão anéis e nem serão necessários. Anéis não guardam dedos e, muito menos, substituem os carinhos devidos.
Beijos para vocês,
Papai

 

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