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Arnaldo
Ribeiro
(junho/00)
-
Deveriam ser todos pretos e pronto!
Como em Londres!
Ficam muito mais discretos! Além
do mais, os de Londres são muito
mais confortáveis
pois a gente não precisa se dobrar
todo nem para entrar nem para sair!
- Em Nova Iorque são todos amarelos,
vi semana passada na TV.
- E em Porto Alegre são todos
vermelhos. Também vi na TV.
- Eu acho que é porque lá
a Prefeitura é petista há
muito tempo.
- Vai ver... Já em São
Paulo, tá tudo branco.
Deve ser homenagem, só não
sei a quem ou a que.
- Ou ironia. Mas também é
bom lembrar que só os comuns
são brancos.
- Tem razão. Os especiais são
todos coloridos!
- Brancos ou coloridos, londrinos ou
não,
temos que admitir que hoje há
mais conforto e fartura.
O senhor já esqueceu dos fusquinhas?
O tema da conversa, como dá para
perceber, eram táxis, suas cores
e seu conforto.
O local do colóquio, como não
podia deixar de ser, era uma cadeira
de barbearia,
talvez uma das poucas tribunas livres
ainda ao alcance do cidadão comum.
- Antigamente tinha um xadrezinho nas
laterais, lembra?
- Não, nunca vi.
- Ora, você não tá
lembrando!
- Então, isso deve ser do tempo
do gasogênio.
- Qual é, meu caro? Garanto que
você é mais velho do que
eu!
- Pode ser, pode ser, mas acho que se
existiu esse tal xadrezinho,
deve ter sido no tempo em que táxi
se chamava carro de praça.
- Mas, e a propaganda nos carros, o
que é que você acha disso?
- Sou favorável. Os taxistas
precisam ganhar bem para manter seus
veículos em boas condições
e garantir a qualidade do serviço.
- Concordo, mas a minha mulher acha
um exagero os táxis carregando
aquelas placas luminosas enormes no
teto e colocando aqueles adesivos no
vidro traseiro.
- Agora pode, não é?
Pensei que fosse proibido colocar adesivos
no pára-brisa traseiro.
- Eu não entendo mais nada, se
você quiser saber.
Meu neto teve que tirar uma película
do pára-brisa traseiro
há dois anos atrás para
poder licenciar o carro.
- E saiba o senhor que eu tive que tirar
dois adesivos do Corinthians.
- Mas e os ônibus, hein? Agora
estão todos camuflados.
- É verdade. Noutro dia ouvi
a minha sobrinha explicando
prá minha mulher o que ela tinha
que fazer para ir da casa dela ao trabalho
e vice-versa: pegar o ônibus dos
telefones, depois o ônibus da
Internet verde
e por fim o ônibus do refrigerante.
Na volta tem que pegar o ônibus
da cerveja, o da Internet amarela e
o das calcinhas.
- A turma tá exagerando, você
não acha?
- Acho não. Melhor isso do que
pagar mais caro pela passagem.
Afinal, se táxi que é
transporte de empresário pode,
por que ônibus que é transporte
de trabalhador não poderia?
- Também vi na TV que os ônibus
lá no estrangeiro carregam um
monte de propaganda.
- Já a minha mulher, que é
fraca da vista e muito distraída,
acha que tá tudo meio parecido.
Noutro dia ela foi tomar um táxi
e,
depois de se instalar confortavelmente
no banco de trás,
pediu para o motorista tocar para a
Mooca.
Quase deu confusão.
Era um carro da polícia.
O senhor também vai fazer a barba?
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