Maria Regina Moura Ribeiro - Ciranda Preconceito



Ah... o preconceito!
Hoje sei o seu significado...
Mas eu não o sabia quando pequenina.
E senti na pele a sua devastação,
e na alma a sua amargura.
O pior preconceito era, para mim,
aquele que atinge uma criança,
que sufoca um amor infantil,
ou que te faz chorar na calada da noite.
O preconceito que sofri
me feriu por inteira...
Me sentir rejeitada na escola sulista
por ter sotaque nordestino, aos 10 anos,
foi a gota d'água... até de ano repeti.
Entretanto, me fortaleci para mais tarde...
Assim, quando chegou a vez de defender
a excepcionalidade do meu irmão,
tudo ficou fácil.
Aí então, soube que o pior preconceito
é aquele que atinge um ser indefeso.
Me senti uma leoa quando uma vizinha perguntou:
"Prá que seu irmão quer tomar sol?"
Agora, eu tinha "preconceito"
com os preconceituosos
e a briga foi feia....
E nosso direitos prevaleceram:
Bida toma sol diariamente no terraço do prédio.

São Paulo, 30 de agosto de 2005

 

(ciranda organizada por Terê Penhabe)

 

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