Querida sobrinha Claudia,
 

Fiz uma breve reflexão de sua carta encaminhada ao seu tio e não sei se corresponde à sua expectativa, mas para mim, sim.

Que pretensioso, não? Ou é apenas uma característica familiar?

Sua percepção arguta do problema... e a forma amena e objetiva da narrativa merecem rasgados elogios. Você demonstrou o que é ter equilíbrio emocional e determinação ao abordar assunto tão delicado. Em nenhum momento o seu coração aflito deixou transparecer nenhum tipo de destempero, embora os pedidos de ajuda fossem verbalizados de maneira lúcida e vigorosa.

Tomara a Deus que suas palavras tenham encontrado eco para o bem-estar de todos.

Não sei se havia desconhecimento... ou indiferença do seu tio, mas certamente agora o quadro é outro.

Nela, igualmente, é digno de registro, querida sobrinha, o modo como você intercalou com maestria os sentimentos de aflição, ansiedade, angústia, tristeza, sofrimento em contraposição com os de serenidade, satisfação, orgulho, etc. Uma verdadeira aula! Quanta sabedoria! Tem muito valor sentimental e poético. Verdadeira preciosidade.

É importante ressaltar como foi linda a maneira meiga e estimuladora como você relatou o seu sucesso, conquistado e merecido. Esta forma orgulhosa de narrativa das suas conquistas me impressionou tão positivamente que me atrevo a dizer-lhe que o impacto emocional foi maior que o das palavras utilizadas no texto. Depreendi, claramente, que o seu orgulho pelas realizações da moradia própria, do carro, da independência econômica foi o fruto de muito esforço seu e, ainda, possível porque houve retaguarda: pais permanentemente participando, apoiando, propondo, cobrando e sobretudo amando. Ao contrário, sem definir limites, ausentes, omissos, indiferentes e etc. não teria chegado aonde chegou.

O aspecto financeiro é importante e necessário mas não prepondera na relação pai e filho.

Com certeza foi isto que você passou ao seu interlocutor, ao qual tive muito carinho e apreço e hoje só resta perplexidade.

Também ficou claro na sua carta que a verdadeira beleza da vida consiste em ajudar quem precisa, seja de que forma for, pois ninguém é tão pobre que não possa dar e repartir amor, carinho, compreensão e etc. Muitos não sabem o que estamos dizendo e nem tem sensibilidade para o que chamamos de viver e se sentir bem consigo mesmo. Mas você sabe e bem que há muita troca nessa relação em que não há vencidos e vencedores. Todos ganham sempre.

Sei que a sua formação acadêmica em muito contribuiu para isso. Também sei que seu caráter foi forjado numa família de bem, mas você foi além, muito além. Sempre foi e será motivo de orgulho dos seus pais, familiares, amigos, colegas, inclusive deste tio diferente, mas muito humano.

Tenho um cisco no olho que está a me incomodar e eu preciso terminar logo para não... sei lá o que.

Você poderia, como muitas outras pessoas bem sucedidas, apenas desfrutar o que a vida material tem a oferecer sem se importar com o resto. No entanto, você vivencia a nossa dura e doida realidade social quando, após sua ocupação profissional, doa-se em atividades de ajuda às crianças pobres do seu bairro e, ainda, na campanha permanente de combate à fome no nordeste. Quanta generosidade!

Por derradeiro, extrai dela inúmeras lições de vida e não foi minha intenção esgotar o assunto. O que quis dizer efetivamente disse e agora que descortinei com muita nitidez a grandeza de sua alma resta-me dizer-lhe: Parabéns Claudia, você é sensacional!!!

A grandeza se mede pelas ações e pelos gestos como esse em defesa dos primos.
 

Obrigado, muito obrigado por você existir.

 

Abraços e beijos do seu tio Edinaldo e família.

 

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