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IOLANDA Como não lembrar do teu colo quente e acolhedor onde tantas vezes encontrei abrigo para chorar livremente meus desenganos, minhas decepções e meus insucessos? Como não lembrar do teu sorriso aberto e receptivo que ora me sinalizava perdão, ora aprovação, ora entendimento, mas sempre me transmitia carinho e revelava a alegria de ser minha mãe? Como não lembrar das tuas palavras sábias, repetindo docemente tantos ensinamentos, sem te importar se o fazias pela décima ou pela milionésima vez? Não esqueci dos valores que me ensinaste e que moldaram o meu caráter. Não esqueci dos limites que me demonstraste e que balizaram os meus caminhos. Não esqueci das valiosas lições sobre desigualdades e individualidades, sobre direitos e oportunidades, que tanto me ajudaram a entender o mundo e respeitar todas as pessoas. Contigo aprendi a distinguir sonhos e metas, a desenhar o paraíso e a edificar meu mundo real. Muitos beijos me pediste, tantas vezes, eu me lembro. Muitas vezes não te beijei, por birra, zanga ou doença. Beijei-te muito
menos do que merecias, mãe. |