Arnaldo Pereira Ribeiro

  (Fevereiro/2001)

 

 

 Arnaldo Ribeiro                 



Somos condicionados, desde muito pequenos, ao julgamento.
Nossos pais nos ensinaram a julgar (pelos padrões deles) tudo o que nos rodeia: acontecimentos, roupas, alimentos, brinquedos, palavras,

leituras, diversões e, principalmente, pessoas.

Depois, fomos educados pela sociedade, quando passamos a ser submetidos
ao julgamento de nossos "semelhantes", algumas vezes pessoas até piores do que nós (professores, vizinhos, parentes, autoridades, jurados, juízes, jornalistas, eleitores, etc). E constituímos família e educamos nossos filhos, repassando para eles tudo o que aprendemos sobre "julgar".

Diariamente, dirigindo no trânsito, assistindo televisão ou lendo o jornal,
estamos exercendo nosso julgamento sobre a aparência, o caráter, a bondade, a maldade, a honestidade, a desonestidade, ou o que seja, das pessoas que vemos, de quem ouvimos ou sobre as quais lemos.
O julgar faz parte do nosso ser e está arraigado em nós talvez até por ter sido fruto de nossa sobrevivência como raça: julgar e decidir são competências de animais sobreviventes.

Sem entrar no mérito de qualquer crença religiosa, a fé absoluta em um poder superior onipotente, que decida por nós, até facilita viver os fatos da vida e crescer. É aquilo que muitos de nós chama de " entregar a Deus". Mas a vida moderna e a acirrada competição pelo "viver e vencer" reforça a necessidade de julgar e decidir. Ao perdermos essas habilidades, deixamos de ser competitivos, estamos fora.

Muitos de nós, entretanto, também cultivam o pré-julgamento, aquele que é feito sem o conhecimento suficiente dos fatos. Talvez esse seja o erro que cometemos com a maior freqüência...

Precisamos aprender a praticar uma comunicação melhor, avaliar melhor o que queremos dizer e se o queremos dizer. Saber transmitir o que estamos pensando, prever a reação de quem vai nos ouvir. Não devemos esquecer que julgar é um impulso quase inevitável e, portanto, é bom que tenhamos reunido todas as informações disponíveis para, pelo menos, não formular opiniões ou posições injustas. Ironicamente, enquanto entramos na era da informação, continuamos a julgar com base em informação nenhuma

até as pessoas que a gente mais ama.

 

 

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