Outro dia
alguém pediu que eu escrevesse sobre o aplauso.
Era inegável
o tom de perplexidade ao referir-se à dificuldade que as
pessoas têm em reconhecer a competência alheia e, quiçá,
a sua própria, quer num espetáculo quer entre amigos.
Acreditei
ser um excelente tema.
Pois bem,
o aplauso pressupõe a aprovação.
Nós
aplaudimos aquilo que gostamos, que achamos belo,
louvável, admirável.
Aplaudir
é aclamar, vitoriar, elogiar, enaltecer.
É
uma demonstração de agrado de nossa parte.
Normalmente
usamos gestos, como bater palmas, ou palavras de reconhecimento
e admiração quando queremos expressar nossa aprovação
por alguém ou alguma coisa.
Fazemos
isso de forma pública ou particular, mas é publicamente
que o aplauso ganha corpo em sua expressão, e acaba por contagiar
até os mais tímidos e receosos em expressar a sua
aprovação e reconhecimento.
Para que
possamos aplaudir a alguém ou a algum evento, necessitamos
primeiramente ter consciência do que nos agrada.
Por incrível
que pareça existem pessoas que sequer sabem do que realmente
gostam, tão acostumadas estão a seguir modismos ou
guiar-se pela opinião alheia.
Além
disso, devemos possuir a coragem de expressar nossa opinião
em meio a tantas outras, coisa muito mais difícil.
Quem se
cala tem menos chance de errar e, igualmente,
de participar.
O mundo
é de quem põe a mão na massa.
Quem fica
de fora, coloca-se na posição de mero espectador e
investe-se do direito de julgar e criticar o trabalho realizado.
As pessoas
costumam ser muito boas nisso,
principalmente quando aguçam seus sentidos de forma
a captar somente o que não deu certo.
É
um meio de compensar sua própria incapacidade
de tornar-se participante.
Quanto mais
defeitos forem encontrados,
melhor para quem deixou de estar lá, certo?
Errado,
completamente errado.
Faltou você.
Faltou a sua participação.
Faltou o seu sorriso, o seu abraço, o seu aperto de mão.
Faltaram as suas palmas, as suas lágrimas, toda a sua emoção.
O espetáculo estava ali, mas você não.
Estava mais
preocupado em não se expor,
não reconhecer o mérito de quem se propôs a
fazer e fez.
Fez acontecer
o que tinha que ser.
Tem gente
que não participa mas reconhece.
Aplaude, vibra e se emociona.
Tem gente
que gostaria de estar lá, mas não estando,
compartilha a euforia de quem organizou, empenhou-se,
lutou e apresentou um resultado.
Essas pessoas
rejubilam-se com o acontecido e aplaudem.
Prestam
um reconhecimento público,
uma homenagem a quem sonhou, acreditou, lutou e realizou.
Quantos
sonham e nada realizam.
Quantos
acreditam e nunca põem em prática.
Quantos
lutam e desistem antes,
às portas da concretização de seu objetivo.
Sim, existem
aqueles que têm muito valor,
muito brio, muita coragem.
Aqueles
que, à despeito de toda a adversidade,
continuam lutando pelo que acreditam ser justo e bom.
Esses merecem
aplausos e, às vezes, não os têm.
Muitas mãos
se seguram pois invejam a iniciativa que não foram capazes
de ter; outras, porque se envergonham de demonstrar seu apoio e
admiração diante de uma possível desaprovação
alheia.
Muitas mãos
se seguram porque já não têm forças,
vencidas pelo tempo, pesadas pelo cansaço de quem viveu uma
vida inteira de doação e sacrifícios.
Algumas
há, que se seguram pela ignorância, pois não
sabem apreciar o que é belo, não sabem o que é
luz, nem por onde caminhar.
Seguem apenas
porque a vida tem um rumo próprio,
e acolhe a todos, sejam justos ou não.
Mesmo assim,
existem as mãos que se abrem,
solidarizam-se, somam.
Mãos
que constroem e edificam, buscam alternativas,
fazem sonhos virar realidade.
A todas
elas, de coração, meus parabéns!
Talvez,
seja necessário paciência para conviver com quem só
sabe dividir e criticar.
Com o tempo
os aplausos virão, não mais como conseqüência
do reconhecimento, mas como resultado da maturidade que muitas pessoas
vão acabar alcançando.
Maria Regina
Canhos Vicentin
http://www.maytewebsite.com/prosa/aplauso.htm
Vamos
aplaudir...