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Vida vivida
(para Maria Regina)
Eis que chegas aos sessenta anos.
Chegas a esta espécie de pousada à beira do caminho,
onde todos os
viventes param para descansar
e de onde podem contemplar o seu caminho.
Alguns chegam felizes, alguns chegam cansados. Alguns chegam com sede,
alguns trazem água fresca. Há os que olham para frente, com amor à vida,
tentando sondar ou até adivinhar o que ainda virá, até que cheguem ao
ponto final.
Há outros, não sei se mais sábios, que olham para trás tentando lembrar e
entender o passado, para, quem sabe, aprender e melhorar.
Há mesmo aqueles, amargos, que chegam remoendo arrependimentos e
frustrações, desenganos e culpas,
e que farão a si mesmos promessas de
mudança.
Alguns outros, infelizes, são encarnações do fracasso ao se intitularem
juízes de seus semelhantes, aos quais atribuem a responsabilidade por
todos os males de que foram vítimas ao longo das suas jornadas.
A pousada dos sessenta fica num local com muitas flores, árvores e
pássaros e é muito bem iluminada para uma visão completa de quase todas as
coisas com riqueza de detalhes.
Seu ambiente é confortável para permitir aos passantes a tranqüilidade
necessária a uma reflexão que produza paz, fortaleça o amor,
premie o bem.
Chegas aos sessenta alegre, rodeada pela família e pelos amigos. Tua
pousada está iluminada pelo sol, mas teu descanso tem muita sombra,
perfumes e música. Soubeste como chegar feliz, olhando para frente,
fazendo planos, mas entendendo e valorizando o passado.
Sê bem vinda aos sessenta. Adentra a pousada e fica à vontade. Permite que
eu ajude a tornar tua passagem muito agradável e que eu possa te oferecer
tudo o que precisares nos teus momentos de reflexão. Eu te recebo com
votos de felicidade e saúde na retomada do caminho, quando, tenho a
certeza, continuarás buscando o bem de todos com a grandeza de espírito
que te caracteriza. E te peço não esquecer de um detalhe importante: eu te
amo há 47 desses sessenta anos e meu coração, companheiro, te acompanhará
pelo restante do caminho, seja ele como for.
Arnaldo
11 de janeiro de 2005
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