Mariana Viktor           
 


Presentes em nosso cardápio há muito tempo, os alimentos funcionais contêm microorganismos que previnem e combatem doenças, deixando nosso organismo saudável. Veja como eles atuam e onde encontrá-los.


Tão importante quanto manter uma dieta balanceada e variada - repleta de legumes, verduras e frutas e pobre em itens gordurosos, enfarinhados e açucarados - é consumir itens ricos em substâncias bioativas, que atuam diretamente na prevenção e no tratamento de doenças. Quer um exemplo? O licopeno presente no tomate, que age contra diversos tipos de câncer. Chamados de funcionais ou nutracêuticos, os alimentos com essas propriedades dividem-se em três grupos: probióticos, prebióticos e simbióticos. Encontrá-los é fácil, já que estão entre frutas, legumes, verduras, cereais, peixes e derivados do leite que consumimos no dia-a-dia...


equilibram a flora intestinal


Os iogurtes naturais, o leite fermentado e o Kefir (fermentado lácteo de origem asiática) são as principais fontes dos bioativos probióticos (lactobacilos e bifidobactérias). Para entender a função deles, é preciso lembrar que nossa flora intestinal é habitada por microorganismos benéficos e nocivos e que há um equilíbrio entre ambos. Só que o estresse, as doenças, o uso de antibióticos e a idade destroem os agentes "bons" e deixam os maus em maior número. Recompor as tropas "do bem" é justamente a missão dos probióticos. Eles também nos protegem contra infecções, ajudam na absorção de vitaminas e minerais, reforçam o sistema imunológico e reduzem o pH do intestino, impedindo a proliferação dos bichinhos do mal.
Como o açúcar refinado destrói esses microorganismos, o ideal é fugir dos iogurtes de sabores açucarados e dar preferência às versões light e natural. "Para surtir efeito na saúde, é essencial ingeri-los diariamente e com alguma fibra (maçã, laranja, aveia), a fim de aumentar seu poder de ação, uma vez que as fibras solúveis são o sustento desses elementos", explica Gláucia Pastore, professora de Bioquímica de Alimentos da Universidade de Campinas (Unicamp) e presidente da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos.
Como boa parte dos lactobacilos é destruída pelos ácidos estomacais, os cientistas desenvolveram tecnologias para fazê-los ultrapassar a barreira do estômago e chegar ao intestino. Um iogurte tem essa característica quando o rótulo indica a presença de bífidos ativos. "Também existem cápsulas que aportam - cada uma - até 5 bilhões de lactobacilos", diz Michaela Lessmann, nutricionista da Aplacom, empresa que importa essas cápsulas dos Estados Unidos.


combatem o mau colesterol


Itens como cebola, alho, tomate, alcachofra, banana, cevada, centeio, aveia e mel são ricos em bioativos prebióticos: fibras e açúcares não-digeríveis, resistentes à ação das enzimas da saliva e do intestino, que servem de alimento para os microorganismos probióticos. Eles ainda facilitam o trânsito intestinal, previnem diarréias e prisão de ventre, reduzem o risco de câncer, combatem o mau colesterol e os triglicérides e controlam a pressão arterial. Um dos prebióticos mais conhecidos é o frutoligossacarídeo (FOS), que é obtido a partir da sacarose e acelera a reprodução das bifidobactérias, inimigas dos microorganismos patogênicos. Deve-se ingerir pelo menos 25 g diárias dessas fibras. "Basta comer uma fruta e salada todo dia para alcançar essa marca", afirma a bioquímica da Unicamp. "Mas é importante que sejam fibras solúveis, como as que existem nos vegetais folhosos, frutas e aveia. As do farelo de trigo, por exemplo, não servem porque são insolúveis", diz Gláucia.


alimentos dois em um


Misture iogurte natural na salada e acrescente cebola, tomate e alcachofra e vai estar fabricando esse tipo de nutriente, que contém bioativos probióticos e prebióticos na composição. Existem marcas de iogurtes com fibras à venda nos supermercados. Mas você pode produzir o seu em casa adicionando ao copinho de iogurte aveia, banana e frutas fibrosas como laranja e maçã. Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp criaram uma bebida fermentada à base de soja que é simbiótica. A novidade já chamou a atenção de algumas empresas.

 

 

 

 

O sal e o açúcar refinado são os maiores inimigos dos funcionais. "Ambos anulam as propriedades terapêuticas dos alimentos, bloqueando as reações necessárias à absorção dos nutrientes", alerta a nutricionista Michaela Lessmann. "De que adianta comer um tomate rico em licopeno, acrescentar gergelim e azeite de oliva extravirgem e depois enchê-lo de sal? Ele destrói os elementos bioativos desses itens." O consumo máximo diário de sal não deve ultrapassar 5 g. Com o açúcar refinado é pior. "Ele alimenta todas as bactérias do intestino. Como as benéficas são mais lentas, morrem por causa da proliferação das outras", completa Gláucia Pastore, da Unicamp

 

 

 

CONHEÇA OS BENEFÍCIOS DOS FUNCIONAIS

  BIOATIVO

FUNÇÃO

FONTES ALIMENTARES

Alicina

Aumenta a imunidade, previne o

câncer e diminui as taxas de

colesterol.

Alho, cebola.

Carotenóide

Antioxidante, previne o câncer e

doenças circulatórias.

Tomate, cenoura, abóbora, espinafre, acelga,

frutas cítricas, melão, pêssego.

Catequina

Diminui a incidência de câncer de

intestino e estimula o sistema

imunológico.

Chás, cerejas, uva, vinho tinto, chocolate.

Compostos

sulfurados

Possuem ação anticâncer.

Brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas.

Flavonóide

Impede vários tipos de

câncer, é vasodilatador,

antiinflamatório, antiulceroso

e antioxidante.

Soja, cenoura, frutas cítricas, pepino, tomate,

pimentão,

berinjela, cereja, salsa.

Licopeno

Antioxidante, previne o câncer

de próstata e doenças

cardiovasculares e aumenta

a imunidade.

Tomate, pimentão, goiaba, melancia, cenoura,

mamão.

Lignana, ômega

Combatem doenças cardiovasculares

e têm ação antiestrogênica.

Semente de linhaça, noz-moscada.

Monoterpeno

Inibe a produção de colesterol,

é antioxidante e previne o câncer.

Cenoura, tomate, berinjela, pimentão,

grãos integrais, frutas cítricas, cereja.

Selênio,

ácido graxo

Antioxidantes, reduzem as

taxas de colesterol.

Nozes, castanhas.

 

Fonte: Revista “Corpo a Corpo - Edição 197 - Maio/2005
 

 

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