
PAI PATERNO
Onete Ramos
Santiago,
Psicóloga
Uma reviravolta nos costumes, ao propiciar ao homem o contato mais
próximo com seus filhos e família, fez surgir o que
eu chamo PAI PATERNO e a verdade é que, com isso, não
é só a mulher que ganha, podendo conquistar também
outros espaços como sempre se apregoou ; entendo que o homem
também o ganha na dimensão de seu Ser que hoje já
pode ser mais terno.
Assim, nossas crianças
atuais têm sido criadas com um modelo masculino mais presente
e o homem tem se liberado de suas couraças sociais que o exigiam
mais endurecido e amargo e, liberto desta postura obrigatória,
tem se tornado mais humano.
Nem sempre foi assim.
O pai antigo era apenas o provedor.
A paternidade era para o homem simplesmente
um Fato, ao invés de sê-lo também um Ato, como
vejo hoje acontecer.
É o homem querendo ser Pai,
querendo participar e estar envolvido, por opção e vontade
próprias, pois já tem a convicção de estar
perdendo se não o fizer.
Assim, o homem tem desejado o contato
mais aproximado com seu filho, as horas gostosas que a relação
com uma criança propicia, o afago, o aconchego.
Descobriu que o se enroscar com
uma criança quentinha e macia dá a ele, como dá
à mulher, mais disponibilidade e maior abertura para o toque
humano, mais largueza afetiva, mais base emocional.
Tem visto a paternidade como um
lado de sua vida na qual se "desrobotiza" um pouco, podendo
se enxergar como alguém mais do que aquele que digita , que
assina papéis, que organiza projetos.
Em casa, o projeto é humano.
É a construção
de Ser.
É o lançar bases para
a estrutura sólida da pessoinha humana que está ali
e que é sua. Depende de papai e mamãe.
É o montar do EU que é
o instrumento mais legítimo que temos de realmente estarmos,
de sentir , de viver e ser feliz.
E os pais têm compreendido
isto integralmente.
Nem se trata mais da participação
ocasionada por um discurso feminista antigo que clamava que os pais
"tinham que participar, precisavam ajudar".
A dinâmica aqui é diferente.
Os pais têm participado porque
eles mesmos tem encargos eletivos de paternidade.
A paternidade, para eles, tem sido
vista como um fator positivo para suas vidas; fonte de prazer, fonte
de se refazer.
Aqui, ele vai liberar sua musculatura
tensa naquele suave derretimento macio de contato, de tez a tez, de
calor humano; pai se derretendo, filho se solidificando forte e robusto
para a vida.
Nesse deixar ir se amolecendo, se
soltando, se dando e recebendo, se articulando e se remontando com
Ser, está o ganho do pai,
inteligente e sensível que optou por ser
Paterno.