MARIANA
Margarida Reimão
Do Livro Cartas a Um Desconhecido
(Dedicado à minha filha, Mariana, um presente de Deus)


O tempo passou, Mariana
E eu nem percebi que você cresceu
Mesmo trazendo você no meu colo
(que eu acho que encolheu)
porque o espaço já está pequeno
para abrigar o seu corpo que cresce sereno
mas eu a tenho na barriga, como antes,
e a vejo ainda muito pequena,
rodando minha saia
fazendo um corrupio de travessuras mil.
Pois é, cigana morena,
Agora nem tão pequena
Seguro sua alvorada tênue,
Quase indo ao encontro da vida,
Abrindo sua janela,
Com seu jeito de menina
Onde a mulher já quase domina
E olho, minha filha, suas mutações
E fico tão assustada
Querendo voltar no tempo
Buscando com todo intento
Você pequenina para ninar
E canto o boi da cara preta
Numa forma demasiada de amar você
E insisto-me em segurar-me grávida,
Distanciando-me do parto
Na minha fuga em vê-la crescida
E aí, morena, vejo seus cabelos longos
Seu rosto lindo no espelho
E, miro-me em seu olhar
Tentando sua sorte adivinhar
Pedindo por seu abrigo
Que o mundo nunca lhe faça capricho
Que conserve seu riso sério,
Mas também sua risada marota.
Minha Garota, tenho por você um encanto
Por seu jeito de dançar, sua alegria, sua simpatia
Que Deus tenha seus passos
Nos círculos que a vida cumpre
Mas sem deixá-la longe do meu espaço,
Trazendo-a no meu abraço
Porque terei você sempre na barriga, como antes.

 

Margarida Reimão

Entrevistada - Margarida Reimão

 

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