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Amizade
em família / irmãs
Conheça histórias de pessoas que encontraram no irmão o melhor amigo
Simone Pompeo, do Paralela
Fotos: Marlos Bakker
Embora
família não seja a primeira opção, algumas pessoas escolhem os seus melhores
amigos dentro de casa. Esses irmãos superaram a competição natural e ganharam
um relacionamento que não corre o risco de se perder com o tempo e com a distância.
Segundo a psicóloga e psicodramatista Aparecida L. De Sicco, os pais têm um
papel determinante quando os filhos estabelecem vínculos fortes.
"Há casos em que os irmãos deixam de lado a rivalidade para se proteger
do pai ou da mãe. Mas não podemos esquecer do amor. Filhos amados e
respeitados aprendem a se relacionar dessa forma. Se há afinidade entre eles,
pode haver uma grande amizade."
Leia as histórias desses irmãos que se tornaram melhores amigos.
Maria
Helena Moura e
Maria Regina Moura Ribeiro
Elas dividiram a mesma placenta, cresceram, brincaram e estudaram juntas.
Aos 55 anos, falam ao telefone pelo menos quatro vezes por dia, contam tudo o
que fazem uma para a outra e criaram seus filhos – Regina, psicóloga, tem
duas e Helena, jornalista, três – praticamente juntas.
Mas quem pensa que irmãos gêmeos são inseparáveis porque são iguais se
engana. "Somos completamente diferentes. Enquanto eu sou expansiva e sociável,
Helena é mais introvertida. Nós sempre tivemos admiração uma pela outra.
Nunca competimos. Se eu limpo a casa, ela cozinha.
Nos completamos", resume Helena.
Vindas de uma família de oito irmãos que se dão bem, para elas, gêmeas se
relacionam de forma diferente.
"Eu gosto dos meus irmãos, me preocupo com eles, mas não é a mesma
coisa.
O que eu sinto pela Regina é uma afeição forte e natural. Eu tenho vontade de
compartilhar tudo com ela.
Se ela não está bem, eu não fico", diz Helena.
Apesar de acharem que a proximidade tem relação com o fato de serem gêmeas,
elas também acreditam que o relacionamento entre todos os irmãos em sua família
sempre foi bom porque eles precisavam se proteger do pai rígido demais.
"As reações dele eram desproporcionais aos fatos.
Nós tínhamos que diluir a culpa de alguma travessura entre todos", relata
Helena.
É natural que depois da adolescência, quando os namoros começam a ficar sérios,
amigas se distanciem um pouco, mas nem o casamento afastou as gêmeas. Como os
maridos se davam bem, o relacionamento era fácil. Durante os três anos em que
Helena morou em Sorocaba, interior de São Paulo, Regina e a família iam visitá-la
quase todos os fins de semana. A união continuou mesmo em momentos difíceis. O
pai viveu na casa de Regina nos seus últimos 11 anos de vida. Apesar da relação
distante que tinha com ele, Helena ajudou a irmã o tempo todo. "Fiz tudo
por ela, não pelo meu pai. A relação que eu tenho com a minha irmã vem antes
de tudo. Graças a isso, não sei o que é solidão", finaliza.
19/07/00
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