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Peek-a-boo-John Cunningham

Guilherme
São Paulo,
16 de abril de 2007
Movimentos cadenciados com uma plasticidade terna, singular ao vento
desenhando por entre a imensidão de areia, formando um todo bastante
apreciativo à contemplação. Nervuras e irregularidades por entre sua
superfície rústica, tosca, entrando em conflito com sua densa
transformação do real. Um pedaço de madeira, que apenas delimita a
imaginação de seu condutor, pode nos trazer a inventiva arte nos
dias de hoje, que esculpi, que trabalha, para voltar ao primitivo, à
origem.
Sempre com a mesma dificuldade da introdução, tentando fugir da
mediocridade do ser, mas com a mesma pompa do novo, da apresentação.
É o que me resta: falar de metalingüística, comparando à própria
vida que na verdade mostrarei que não há muita diferença com a
escrita.
Passando pela métrica, simétrica, preocupação sonora e visual que
não foge nos nossos textos e se perpetua em nosso cotidiano,
chegamos no fato em si, que começa a destruir rótulos e mostrar sua
veracidade boa ou ruim. A essa altura do campeonato, não encontro
exemplo mais claro que o matrimônio. Mas os empecilhos são muito
mais complexos ultimamente.
As palavras estão perdendo o significado para o simbolismo, tudo
emparelhando com o viver desenfreado, perdendo a essência, os
“porquês”. Mais um motivo para considerar mestre, Machado, que com
suas curtas ironias mostra tamanha grandiosidade de sentido. Esse
desabafo pessoal, dá início também ao fim da dissertação.
Apesar de passar a vida esperando, nunca sabemos como e quando será
nosso fim. Temos sempre perspectivas de tudo, e para os mais
carrancudos que se dizem sem esperança de vida, sobra-lhes a morte.
E é assim que se acaba os textos de escritores jovens e pueris, ou
de escritores experiente e sábios, ou de desiludidos e até
resignados, sempre acabam como uma inventiva para um futuro próximo
ou não, como um sonho realizado, ou a se realizar.
E com o lápis que deu origem ao texto, teço minha esperança de um
dia viver distante desse meio ganancioso e intolerante, onde
culpamos o sempre citado, capitalismo, ou será o autodidata e sua
cúpula que governam o país? Só esquecemos é que votamos.
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