Isadora Chamberlaine                     


Certa vez, uma parente um pouco distante, em sua fazenda no interior de Minas Gerais, resolveu criar um filhote de coruja que perdera a sua mãe.

Por ele desenvolveu um grande amor.

Alimentava o bichinho no bico, lhe dava água num pequeno cálice e passeava com ele nos ombros. Era um filhote tão querido que vivia mais dentro de casa do que no terreiro. Quando dirigia seu carro, essa minha parente levava o filhote nos ombros, apreciando a paisagem da fazenda.
Num domingo, sua mãe foi visitá-la e ficou horrorizada com a ave na sala de jantar, que tudo olhava de forma calma, em um poleiro de uma gaiola de papagaio. Sem que sua filha soubesse, ela levou o filhote para o terreiro e pensou que a coruja voaria para longe e não mais voltaria. Em seu pensamento, a presença da coruja na casa de sua filha era presságio de mau agouro...

Pois bem, o filhote realmente voou para uma árvore distante e de lá observava, calmamente, o que acontecia no terreiro da fazenda.

Quando minha prima chegou, procurando pelo seu estimado filhote, sua mãe lhe disse que a ave foi embora e com certeza não mais voltaria. Que filhotes não lembram o caminho de casa, como as aves adultas e que era melhor assim, pois coruja traz má sorte.

Minha prima ficou desolada. Passou aquela tarde amargurada. E acreditou que o filhote realmente não voltaria. Entretanto, num fio de derradeira esperança, naquela madrugada, levantou-se e abriu a janela...

Assoviou, chamando o filhote...

Mas nada...

A gaiola vazia permanecia no terreiro...

Naquela madrugada, o filhote não apareceu.

Minha prima acreditou mesmo que a pequena coruja não voltaria.

No dia seguinte, depois do café da manhã, pensou em ir percorrer os cafezais.

E assim o fez.

Enquanto passeava pelos campos, ainda lamentava a falta de companhia de seu amado filhote... Dizem que as corujas não gostam do dia e só voam quando a noite é escura, lamentando em seus piados a sorte dos humanos. Mas este querido filhote, vendo fechados os vidros do carro, sobrevoou à frente da estrada, bem baixinho, para ser visto.

Minha prima não acreditou no que via... Abriu os vidros e estendeu o braço.

O seu filhotinho, nesta hora, pousou em sua mão e veio acomodar-se junto aos seus ombros, como antes o fazia...

A alegria de minha prima foi grande demais!

Voltou para casa para alimentar a ave, que estava sedenta e com fome...

Colocou a gaiola para dentro e o filhote veio empoleirar-se, agora protegido pelo carinho de minha prima...

Esta é uma estória verídica e mostra como o filhote, em sua sabedoria, ignorou a possibilidade de voar e adentrar-se pela noite, juntando-se aos demais de sua espécie, preferindo o amor e o carinho que recebia, ternamente, de minha prima. Vencia o amor, em sua plenitude universal.

 

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