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CARNAVAL, ÓPERA DE RUA
Faustino Vicente
13 de fevereiro de 2011
Na qualidade de presidente de uma
associação, que fez do intercâmbio de informações e experiências
empresariais a sua grande missão, tivemos o prazer de integrar uma
Diretoria que promoveu um expressivo número de eventos sobre
excelência organizacional.
Japão, Argentina, Uruguai, Bolívia e Colômbia se fizeram representar
nessas promoções e, do nosso país, contamos com profissionais de
todos os escalões hierárquicos e dirigentes da mais variadas
entidades. Das várias esferas governamentais, recebemos diversas
autoridades, inclusive dois Ministros de Estado.
Um desses seminários, cujo tema era - Motivação e Criatividade -,
ficou marcado de maneira indelével pela genialidade do seu
apresentador – o consagrado carnavalesco Joãozinho Trinta.
A ginga do passista e a magia do futebolista brasileiro são
embaixatrizes da cultura de um povo, que fez da sua incorrigível
alegria o reluzente brilho da Marca Brazil.
Da riquíssima diversidade das formas de expressão do carnaval –
fantástica ópera de rua - nosso enfoque vai para as escolas de
samba, cujo pioneirismo pertence a “Deixa Falar” fundada em 1928,
pelos sambistas: Ismael Silva, Bide, Brancura, entre outros.
Do Criador à criatura, da pobreza à riqueza, da tradição à inovação,
da flora à fauna, da história à geografia e da antiguidade à
atualidade, surgem temas que se transformam em samba-enredo –
espinha dorsal do desfile – gerador do maior espetáculo de artes ao
ar livre do planeta azul.
A análise gerencial, do cotidiano das escolas de samba, revela a
aplicação de conceitos de consagrados especialistas mundiais, em
gestão da excelência, como por exemplo o PDCA de Deming, a adequação
de uso com satisfação do cliente de Juran, as equipes de trabalho de
Ishikawa, a filosofia de Crosby, e os sábios ensinamentos de Peter
Drucker.
A empregabilidade, habilidade eclética do profissional moderno,
também desfila nas avenidas deste país continente, pois os foliões
sabem sambar, cantar, fazer evoluções e interpretar o personagem que
representam no contexto.
Motivada, a galera se levanta, estufa o peito e solta o tão
aguardado grito de... é Campeã!!!... é Campeã!!!... é Campeã!!!.
Por alguns instantes o sonho da igualdade universal acontece no
verso do poeta, no som inconfundível do tamborim, no largo sorriso
das passistas, na mistura das raças, credos, hierarquias, profissões
e classes sociais
Nessa hora a emoção fala mais alto e a adrenalina vai a mil, pois é
o reconhecimento, e a valorização, do árduo trabalho de milhares de
pessoas – a grande maioria anônima – que durante o ano todo se
desdobra nas tarefas do barracão, na confecção das fantasias e das
alegorias e participa dos ensaios na quadra.
Colocar na passarela milhares de sambistas, com perfeita noção de
tempo e de espaço e gerenciar o escasso orçamento da agremiação
requer, sem dúvida alguma, muita criatividade para provocar efeitos
especiais de baixo custo.
Deve haver muita harmonia entre o planejamento estratégico e o “jogo
de cintura” dos dirigentes, para lidar com pessoas de
características tão diversificadas.
Da leveza das evoluções da porta-bandeira à agressividade das
batidas nos surdos, podemos assistir a uma aula singular de MBA (Master
of Business Administration) que, simbolicamente, podemos traduzir
por - doutoramento tupiniquim.
Para que as organizações de todos os portes e segmentos, possam
agregar valores com o estilo interativo das escolas de samba, basta
que seus executivos dêem oportunidades (iguais) para o funcionário
possa revelar e desenvolver todo seu potencial empreendedor.
Sendo o carnaval brasileiro, através de suas mais variadas
expressões regionais, a nossa mais internacionalizada manifestação
cultural, encerramos com o seguinte alerta: vamos explorar o
turismo, não o turista.
Faustino Vicente – Advogado,
Professor e Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos
e-mail:
faustino.vicente@uol.com.br - Jundiaí (Terra da Uva) – São Paulo
- Brasil
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