|
Família
Kessa/De Moura/Mor
Informações do jornalista Roberto Hilas de Moura, em Dezembro/99 para conhecimento de toda a família, em seu texto original.
18/10/1999
- Parte 1
18/10/1999 - Parte 2
O pai dele, João De Moura, foi o mais exuberante navegador português de meados do século XV. Foi quem fixou nos mapas as rotas lusitanas pela África. Vasco da Gama valeu-se dos mapas feitos por esse nosso ancestral para contornar a África. Agora,
vai uma informação que te surpreenderá, com certeza, pois não a passei
para nenhum dos nossos irmãos: os Mor/Moura
eram portugueses desde o século XII, pois lutaram no exército que criou
Portugal no século XIII e, por isso, ganharam uma cidade como prêmio do
primeiro rei de Portugal. Entretanto, . . . não eram cristãos: eram
judeus. Eram judeus de uma família de navegadores do Mediterrâneo, de
desde os tempos do Império Romano. Levei anos pesquisando isso. Busquei
nossos parentes que fugiram da Inquisição e foram para Amsterdã,
Holanda. São nossos parentes: os Mor da Holanda; os More do Reino
Unido, dos EUA, da Austrália, da Nova Zelândia e do Canadá; os Mora
da Espanha, os Moura
de Alexandria, do Egito - que desde 1952 mudaram-se para Israel. Por
hoje é só. Os Mor eram israelitas da tribo de Judá, do local onde hoje
fica a Jordânia. E, por tradição, fomos preponderantemente
navegadores e cartógrafos, até o século XVIII. Portanto, Moura,
nosso nome, não tem nada a ver com Mouro. Nada mesmo. Em tempo: o atual cônsul de Israel em S. Paulo é da família Mor, descendente de um herói da formação do atual Estado de Israel. 05/11/1999 - Parte 3
Quando
nossa família fugiu da Inquisição Católica (uma das poucas famílias
de portugueses de religião judaica que conseguiram isso), em 1498, os
parentes nossos que foram para Amsterdã adotaram, aos poucos ( até
cerca de 1658), o nome Mor. Os que ficaram por lá são Mor até hoje. São
membros da Congregação dos Judeus Portugueses da capital da Holanda. Os
que, entre os anos 1658 e 1664 foram para as ilhas britânicas, depois
para as Antilhas Britânicas, e depois para as demais possessões britânicas
(EUA, Austrália etc.), adotaram o More (não é Moore, mas More). Os Moura
– a família era de judeus sefaraditas – dos reinos ibéricos
(Castela etc.) viraram Mora, e foram maciçamente batizados como católicos,
ainda que pela força: muitos morreram queimados em praça pública
acusados de prática de uma religião ilegal, o judaísmo. Um
parente nosso, francês, escreveu uma tese universitária sobre o Mora.
Os Moura
chegaram ao Brasil – litoral da Bahia – em 1503, no navio de Bastião
De
Moura, o
Espoir d’Honfleur. Ele voltou para Honfleur na França ao final de
1503, e em 1504 passou outra vez pelo mesmo litoral brasileiro, da atual
Bahia, e deixou mais parentes nossos. E
depois, seguiu para a Índia, numa missão comercial francesa, a
primeira daquele país até a península Índica (somos uma das dez famílias
mais antigas do Brasil; mais antigas que a nossa, só as dos
descendentes dos marinheiros do navio de Cabral que fugiram em 1500, embrenhando-se
na floresta, e as dos descendentes de portugueses que, estranhamente,
foram descobertos nas proximidades de onde hoje é Santos, e que ninguém
sabe ao certo por que estavam lá – onde devem ter chegado antes de
1500). Bastião conhecia exaustivamente as rotas oceânicas, não apenas
por ser filho de João De
Moura, o
excepcional navegador português de meados do século XV. Também
detinha no cérebro informações de uma família dedicada aos oceanos e
mares desde tempos remotíssimos. Naqueles tempos, a pessoa já nascia
sabendo que profissão teria, pois inexistiam escolas, e os filhos eram
sempre aprendizes da profissão paterna; entre os Moura,
quem não era navegador era cartógrafo, e ambos eram igualmente comerciantes).
Os
sefaraditas, todos da tribo de Judá, durante o império israelita sob
reinado de Salomão, ocuparam portos do norte da África, da península
Ibérica e outros pontos estratégicos do Mediterrâneo, até as ilhas
britânicas.
Isso
deve ser surpreendente para você, mas para mim é como se fosse
ontem. Estudei isso anos e anos, li milhares de livros, de muitos países,
conversei com historiadores das mais diversas nacionalidades, e o que
estou passando para você – e minhas sobrinhas – é uma história
em que nos confundimos com a própria História. Passei
a ter orgulho dos Mor/Moura,
e passei a conhecer o judaísmo, uma vez que li muitos livros em que a
história misturava-se com a religião. Digo-me judeu, mas nunca
entrei numa sinagoga. Definitivamente, não tenho religião. Acho que
sou espiritualista como o tio Virgílio. Mas não sou fanático por
religião, porque sei não só que Deus está presente em todas elas,
mas também que os homens acabam sempre conspurcando a espiritualidade
das religiões. Todas as religiões, portanto, para mim, não servem como instituição. Mas os ensinamentos de todas as religiões são lindos, porque emanaram de Deus através de seus muitos arautos que viveram na Terra.
Se
você estudar o surgimento de todas as religiões desde os primórdios
delas, e justapor todas as informações com a progressão do processo
civilizatório humano ao longo de milhares de anos, perceberá que a Ética
é a base das religiões, e que a Ética foi avançando pelo planeta na
medida em que a cultura foi sendo deslocada por aqueles homens que
faziam comércio. Em síntese: a Ética não é grega, mas egípcia;
Moisés, o israelita príncipe egípcio deu início ao processo, sendo
representante do Divino; e todas as religiões têm uma mesma base. Um
dos homens que percebeu isso foi o iraniano Bahauláh, que tentou
unificar as religiões. Acho
que cada religião merece o meu respeito, mas não quero proselitismo
delas por perto de mim: me nego a ler qualquer livro de teologia,
porque, para mim, todas as guerras, perseguições etc. surgiram das idéias
desses tarados. Teólogo é um ser tão prejudicial para a humanidade
quanto o ideólogo. Mas isso é uma reflexão que, se quiseres, ainda te
passarei. Sabes
por que estou te dizendo tudo isso, às pressas? Porque essa é a minha
missão. Deus não me deu todas as informações que estão no meu cérebro
impunemente; ele não me deixou entrevado, quando dos acidentes isquêmicos
cerebrais, por ter propósitos... Você é minha mana mais disposta a
saber, e se quiseres, saberás. Não digo, escrevo, porque tuas filhas
precisam saber disso, precisam ler o que escrevo, para um dia contarem
aos seus filhos... A
cultura familiar infelizmente é desconhecida na nossa pátria. Mas
entre outros povos, todos sabem tudo sobre suas origens. Os alemães,
por exemplo, sabem quase tudo sobre as tribos germânicas, de onde
vieram, como chegaram na Europa. Estudam isso e curtem esse estudo. Eu
quero te passar as informações, para que tenhas orgulho do que fomos
como família, do que somos como brasileiros, e estejas preparada para
enfrentar o João e o Virgílio Moura
quando chegada a hora. Agora, provavelmente, eles já sabem quem foram e
quem somos... 10/11/1999
Parte 4
A
cidade De
Moura
existe até hoje, e lá estão as ruínas do palácio árabe que nós
sitiamos e conquistamos. Somos lusitanos desde o primeiro momento. Mas,
infelizmente, nos séculos XIV e XV deram-se as perseguições contra os
portugueses de religiões judaica e muçulmana. Mas
agora isso já não é importante vivencialmente. Importância tem, como
história. Só isso. Foi uma parente de João De
Moura,
aia da rainha portuguesa na primeira metade do século XV, a mentora
escolar daquele que depois de adulto entraria para a história como o
criador da escola de Sagres, líder dos navegadores que fizeram a glória
de Portugal, o Infante Dom Henrique. Por
influência dela ele foi grande amigo dos navegadores de religião
judaica. Entre os grandes navegadores de Portugal nos séculos XIII, XIV
e XV quase a metade era de judeus praticantes ou cristãos-novos (judeus
que aceitaram o batismo com receio das perseguições religiosas).
23/11/1999
Parte 5
Sobre
nossa família, tenho algumas informações que acho que vão te
interessar. Primeiro, quero destacar que estará nas livrarias em breve
um livro, Dicionário das Famílias Brasileiras, quase 3 mil páginas,
escrito por Eduardo de Almeida Barata e Antônio Henrique da Cunha
Bueno, ambos paulistas. Neste
livro, uma das famílias estudadas é a nossa. Só que os dois autores
evitaram detalhar as verdadeiras origens de muitas das famílias, dos De
Moura,
inclusive; apenas citam que temos o direito de assim sermos chamados
familiarmente porque conquistamos a fortaleza árabe que depois se
chamou Moura;
porque durante a guerra de cerco à cidadela - quando da transformação
do condado Portucalense em reino de Portugal - uma suposta princesa árabe
filha do líder local suicidou-se atirando-se do alto da torre
principal. Tudo firulas... balelas, que quem estudar a história
lusitana verá que é invencionice para esconder origens familiares
desagradáveis ao establishment católico. Mostra também que nossa família
tinha um brasão, até‚ bonito, o que é verdadeiro: temos um brasão,
e detemos o direito de usá-lo. Como
já te disse anteriormente, os Moura
foram a primeira família não católica, em toda a Europa, a ter um
feudo medieval, isso no século XII. Moura
foi nosso feudo; ou melhor, de nossos ancestrais. É hoje uma cidade
bonita, perto da fronteira de Portugal com o Algarve (que há tempos era
um reino coligado). O
Cunha Bueno é um autor meio estranho: não gosta que lhe lembrem que
ele descende dos judeus sefaraditas Boinos, da Ibéria, hoje Espanha.
Ele se acredita um cristão-velho, tanto que casou com toda a pompa com
uma aristocrata pernambucana de origem lusitana, é um dos líderes do
movimento monarquista (foi o chefe, no Congresso, do plebiscito sobre
República ou Monarquia, em 1988). Gosto dele, mas é um pouco
tendencioso. É honesto só até certo ponto com as coisas do País, mas
puxa a brasa para a sua sardinha, sempre. Se
leres o livro do Cunha Bueno e do Barata, não acredite em tudo. Para
ele, os Moura
são cristãos velhos, o que de fato nunca fomos. Mas de fato temos um
brasão. Aliás, os judeus de muitas famílias européias conquistaram
esse direito, e algumas são nobres com direito assumido. Existem
diversas, na Europa. Em
linguagem de historiógrafo, fomos judeus da corte, ou seja, cidadãos
que trabalhavam para o reino em funções de interesse do estado português.
Em
alguns momentos da história portuguesa, casamos com aristocratas e
tivemos destaque nos governos. Por isso muitos Mor/Moura
aceitaram o batismo, para melhor serem aceitos como lusitanos pelos católicos... Outra
curiosidade que o livro de Cunha Bueno e Barata irá revelar. A
família Cavalcanti, uma das campeãs em divisões familiares no País,
surgida em Pernambuco na segunda metade do século XVI, provavelmente em
1592, resultou do casamento de um europeu de nome aportuguesado
Francisco de Cavalcanti com uma mulher mestiça de índia da família Moura.
Os Cavalcanti são, portanto, aparentados conosco desde a origem, na
segunda metade do século XVI. Outra
curiosidade: os Cavalcanti se pensam descendentes de um italiano, só
que na Itália inexiste, originalmente, tal família. Logo, ele, na
realidade, não era um Cavalcanti, ou então a grafia está equivocada.
Eu penso que ele nem italiano era. E que Cavalcanti possa ser fonetização
de duas palavras de origem germânica, kawal kant. De
qualquer maneira, no livro do Cunha Bueno e do Barata, existem 880
linhas de texto sobre a família Cavalcanti, a mais densamente
analisada. Se tivéssemos no País a tradição dos nomes compostos, eles se chamariam, desde o berço, Moura-Cavalcanti. Conto isso para que possas mensurar a importância de nossa família, ao longo dos séculos.
Parte 6 30/11/99 Sobre
o fato de que estou usando, nas
nossas mensagens, o De
Moura,
quero que saibas que não tenho pruridos pequeno-burgueses:
se a família, até o pai
do vô Olímpio, era
De
Moura,
porque não serei eu Roberto Hilas De
Moura
? Acho
que nosso bisavô chamava-se João Felisberto De
Moura.
Era de São João del Rey, Minas Gerais, cidade importante durante o império.
O
fato dele ter chamado o filho de Olímpio revela uma preocupação histórica,
cultural, pois deriva de Olimpo, Grécia, o berço da república, da
gestão pública dos interesses do povo.
O fato dele excluir o "De" do
nome do filho Olímpio Moura,
revela uma preocupação política pois,
durante a luta pela república,
o "De"
significava origem aristocrática, e os republicanos queriam cortar as
ligações com Portugal, uma monarquia. Só que o "De"
não tem nada de aristocrático. É muito anterior a essa concepção do
Renascimento. Os
De
Moura
nunca foram gentil`homens em Portugal, pois trabalharam pesado. O De
Moura
que foi vice-rei do Brasil, no século XVIII, era um trabalhador, tanto
que chegou a morar em Mato
Grosso, onde só haviam brenhas,
naquelas épocas. Nunca fomos de boa vida. E como já te disse algumas
vezes, tenho orgulho dessa família antiquíssima como poucas o são. Sobre
os Chessa, tenho uma informação interessante. Apesar do tio Virgílio
e do nosso pai afirmarem que só a vó Margueritta e um irmão dela
tinham vindo para o Brasil, e que o irmão dela não deixou descendência,
existem brasileiros da família Chessa no Espírito Santo, exatamente o estado
onde a vó Margueritta morou
por primeiro no Brasil. Acredito que sejam descendentes de outros
parentes, que teriam vindo depois dela e do nosso tio-avô. Mas
são Chessa, e da Sardenha, tanto quanto a vó era. Conheci
profissionalmente alguns, mas não foi possível aprofundar a relação. Eu
os procurarei, se algum dia escrever um livreto sobre nossa participação
nas estórias desse País amado.
Voltar para Corujando Dia e Noite
~Webdesign by Marcia Salgado ~
|