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Lá... bem onde nossos olhos precisam
olhar bem alto.
Escondidinhas entre as árvores, mora a família coruja.
Descobri-a, numa de minhas excursões pela mata fechada, numa das
muitas em que me perdi.
As estórias que me contavam, diziam-nas tão feias ....Que só viviam
escondidas e só saiam quando a noite se fazia bem negra, pelo medo
de serem encontradas e, ainda mais, de se sentirem rejeitadas.
Eu já me sentia cansada e desanimada de encontrar o caminho de
volta.
Encostei-me, bem devagar ao tronco daquela árvore frondosa e
adormeci.
Quando a manhã raiava seus primeiros raios de sol, senti a revoada
das corujinhas chegando.
Olhei acima e me escondi, um pouco mais.
Mas... quem diz que se escapa aos olhos de uma coruja?
Elas, um pouco receosas perceberam que meu olhar infantil nada havia
de ameaçador.
Uma delas, começou a se balançar no cipó como a querer deixar-me bem
à vontade.
As outras confabulavam, ainda, olhando-me, meio que assustadas.
Mas, mesmo assustadas tinham uma doçura no olhar que nem em olhos de
amor eu encontrei.
Uma, talvez a mais novinha, ainda não acordara de todo e cochilava,
tranqüila.
Então, queridos amiguinhos, cheguei à conclusão de que beleza, todos
temos.
Basta, apenas, que saibamos direcionar nosso olhar e que retiremos
de nossos corações, compaixão, entendimento, aceitação e,
principalmente , respeito.
As corujinhas, desde então, me parecem as mais belas aves da
natureza.
Conduziram-me de volta à minha casa. Eis que elas conhecem toda
floresta.
Como homenagem às minhas amadas corujinhas tenho em casa, alguns
bibelôs de várias avezinhas.
Minhas corujinhas estão lá e tenho por elas todo o carinho do meu
coração.
Se um dia, vocês as virem...reparem-nas.
São lindas!!! Lindas!!! e sempre serão, para mim, as mais lindas que
já vi, principalmente aquela que se balançava como que a me chamar a
atenção....
Se um dia as encontrarem, digam a elas que as amo e que delas sinto
saudades.
Por isto, quantas vezes... quantas, me pego cantando e enquanto
canto minha alma solfeja em lágrimas:
"Corujinha, corujinha, que saudade de você"!
26/12/2008.

Publicado no site
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