Dentro das minhas malas
Eu carrego muitas coisas,
Vivências acumuladas
Por muitas e muitas jornadas,
Por trilhas, atalhos escolhas,
Algumas delas erradas,
Tantas dúvidas e incertezas,
Quantas coisas guardadas.

Carrego o suor dos amantes,
O encanto, a paixão e a poesia,
O sentimento não compartilhado,
Muitas histórias não terminadas,
A dor de um amor sofrido...
Carrego também a saudade de amigos,
De entes queridos
Que em algum lugar do passado
Seguiram por outros caminhos.

Dentro das minhas malas
Eu carrego muitas coisas,
A armadura, a cicatriz, o conflito,
O guerrilheiro de olhar cansado,
O andarilho em busca de abrigo,
O nobre, o juiz, o bandido,
O feiticeiro, o anjo, o banido.

Dentro das minhas malas
Muitas coisas pesadas,
A aflição, o medo, a espera,
O arrependimento, a culpa, o pecado,
A obrigação de desfazer o mal feito
E desta feita fazer direito,
A obrigação de reconstruir os meus templos
Profanados pela ação do tempo.

Dentro das minhas malas
Eu carrego muita esperança,
Carrego o ingênuo, o sonhador, a criança,
A certeza de reencontrar o inimigo
E fazer dele um novo amigo,
Carrego o santo, o mago, o diabo,
Um sorriso para ser ofertado,
O carinho do ser apaixonado,
Que muitas vezes adormece cansado
Mas amanhece sempre renovado
E vai em busca de uma nova morada.

NALDOVELHO
 

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