Protesto


Foi a primeira vez que experimentei a sensação de cair no “conto do hotel fazenda”.
Fiz uma reserva no Hotel Fazenda Castelo de Sant'Angelo (www.castelosantangel.com.br), em Vargem Grande do Sul, por telefone, em resposta a e-mails de propaganda do hotel que foram enviados a mim. Falei com Thiago, da Central de Reservas, e expliquei algumas questões importantes sobre o grupo que iria se hospedar (meus familiares):
- uma criança, a qual precisaria de um berço (o hotel garantiu que estaria no quarto);
- um deficiente físico de 60 anos e que não sobe escadas (o hotel garantiu que ele iria ter fácil acesso a tudo e que a escada em direção ao quarto era muito tranquila, com corrimãos);
- uma senhora de 57 anos, também com dificuldades de locomoção e diabética (o hotel garantiu a existência de alimentação adequada para ela).
O tratamento que recebi da Central de Reservas foi muito cordial e simpático. Recebi, também, garantias para tudo o que relatei como indispensável para a nossa estadia no referido hotel. Para assegurar tais garantias, e por recomendação do Thiago, reservei as duas suítes VIP com "vista inspiradora", no mesmo valor que é cobrado pelos lofts do Hotel Vila Rossa (para quem conhece, hotel M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O).
Mas nós queríamos conhecer um novo local, algo diferente, curtir momentos de lazer num prometido "paraiso de sonho" e tudo parecia que seria incrível!


Seguimos viagem... 4 horas, em vez das 2 e meia sugeridas pelo Thiago. Mas não podíamos reclamar: apesar dos muitos pedágios, a estrada estava uma beleza. . . e vazia!
O cenário era maravilhoso. Parece uma antiga fazenda de café, com construções antigas e adaptadas, que lembram mesmo um castelo.
No check-in, a primeira sensação de estranheza: o restante do pagamento da hospedagem deveria ser feito no ato, para evitar demora no check-out. Segunda estranheza: não há nada no frigobar. Quem quiser alguma coisa, deve fazer o pedido por ocasião do check-in e as bebidas são entregues no quarto. Terceira estranheza: uma cesta com alguns produtos nos foi apresentada para que escolhêssemos os de nossa preferência. Quarta estranheza: ninguém se prontificou a levar nossa bagagem para o quarto e, quando pedi ajuda, um recreacionista foi acionado para aquela finalidade.


As chaves do quarto nos foram entregues por Kátia, que, viemos saber mais tarde, era a gerente de marketing do hotel. Subimos uma escala em caracol com muito corrimãos em volta (justiça seja feita!). Perguntei se aquele era o único acesso ao quarto e, quando ela disse que sim..., aí as coisas começaram a se complicar. Pedimos para ver os quartos (para voltar posteriormente à questão da escada).
Os quartos são pitorescamente decorados... mas não havia um berço, a televisão era minúscula e daquelas que ficam penduradas na parede junto ao teto, havia degraus para onde se fosse: banheiro, corredor, sacada, etc. Eram degraus demais para dois deficientes físicos e uma criança.
A tal "vista inspiradora" deixou muito a desejar, mas o verde, obra da natureza, era de encher os olhos.


Meu tio e minha mãe, os deficientes físicos, enfrentaram as escadas com um certo esforço, mas estavam dispostos ao sacrifício, já que tínhamos rodado 250km e queríamos "algo diferente". Na sequência, chegaram as bebidas, que encheram o frigobar. Foi então que ficamos sabendo que qualquer outra coisa mais deveria ser buscada lá embaixo, pois o hotel não dispunha de serviço de quarto!


A fome apertava e resolvemos descer para comer, antes de fazer qualquer outra coisa.
Descobrimos, então, que o hotel não possui uma mesa que comporte seis pessoas. Na realidade, existe uma, a única, mas ela estava reservada para um outro quarto. Depois de um certo entrevero, garçons que mais pareciam estar em operação tartaruga resolveram agir. Duas mesas pequenas foram então juntadas e, sobre elas, havia toalhas sujas, sobrepostas por jogos americanos também sujos, e só.
No buffet, havia uma sopa atraindo nossa atenção pelo visual só que ela estava gelada, assim como o macarrão que quase não desgrudava da panela, tão cozido estava. Os doces eram intragáveis, todos carregados na maizena.


Depois do “jantar”, pensamos num joguinho familiar e fomos para a “sala de jogos”. Não havia um só baralho disponível nem sendo usado. O hotel também não oferece um só baralho para seus hóspedes. Segundo um dos funcionários, nunca ofereceu. Sorte que tínhamos levado um jogo de palavras cruzadas conosco. Foi a salvação.


A imundície que encontramos no quarto parecia coisa normal para o hotel. Embaixo das camas havia poeira de semanas. Recebemos toalhas rasgadas e cheias de furos, parecendo mais panos de limpeza. Havia cadeiras de plástico quebradas (um perigo para quem nelas sentasse); várias paredes estavam esfoladas, exigindo reparo; o serviço dos garçons era péssimo, dando a impressão clara que eles não são profissionais e devem ter sido contratados como mão de obra sem qualificação específica (as bebidas eram quase jogadas em cima da mesa, junto com os copos: o hóspede que se servisse, se quisesse).
Tudo isso talvez seja respondido por dois meses de salários atrasados, conforme um dos funcionários nos contou? Não deveria, mas caracteriza ainda mais o que encontramos lá.
O café da manhã, conforme já passáramos a prever, foi péssimo! Havia 62 pessoas à espera do pão, que demorou 25 minutos para chegar. Enquanto isso, esperávamos também uns 15 minutos para que o leite fervesse, e assim por diante...A qualidade e a quantidade de pães, biscoitos, frutas era simplesmente pobre. Nem os modestos hoteizinhos sem estrelas, de diárias baratinhas, são capazes de tal performance. Gente, nem os ovos mexidos, coisa fácil de fazer, podiam ser
comidos! Estavam, igualmente, intragáveis. Foi a primeira vez que rejeitei ovos mexidos por não conseguir comê-los!


Retornamos absolutamente decepcionados. E mais estressados do que chegamos! Pelo preço que concordamos em pagar, esperávamos algo em torno de um padrão Hotel Fazenda 4 ou 5 estrelas. Queríamos apenas passar o feriadão com alegria, entusiasmo e, sobretudo, qualidade. O que recebemos foi uma hotelaria amadora e sem qualidade alguma, onde o que existe de bom é apenas a natureza, obra exclusiva do Criador e que não deveria custar nada.


24 horas depois do check-in, nós, e mais quatro famílias igualmente desiludidas , fechamos a nossa conta e riscamos de nossas agendas essa malfadada experiência denominada Castelo de Sant’Angelo.
Otários? Não diria. Acho que fomos vítimas.


MUITO RUIM!