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Por
Dra. Marinês Carvalho*
Alterações
emocionais infantis são absolutamente naturais.
Mas saiba que, se você cuidar de suas próprias
angústias, estará ajudando a estruturar melhor o
futuro de seu filho.
Não
se iluda: ser pai ou mãe nem sempre é fácil.
Muitas vezes requer uma prontidão física que
pode não ser compatível com a prontidão
emocional do casal. E é dela, fique certa, que
dependerá todo o futuro de seu filho, ainda em
gestação. Vocês dois estão adorando a vinda do
bebê, mas ainda assim é preciso que se sintam
preparados para assumir sua educação,
principalmente se forem pais de "primeira
viagem". Por isso vale a pena falar de
algumas das inúmeras dificuldades que podem
acontecer ao longo do caminho da formação da
personalidade da criança.
Você certamente já ouviu falar de que tudo o que
acontece emocionalmente em sua vida afeta o bebê
que ainda está lá, quentinho e confortável,
dentro de seu útero. Isso é lenda, acredite!
Nenhum estudo científico comprova. A partir do
momento em que sair da sua barriga é que o bebê
começará a sofrer influências que poderão ajudá-lo
- ou atrapalhá-lo! - no processo de formação de
sua personalidade. Portanto, capriche nos cuidados
físicos e siga todas as orientações médicas
durante o pré-natal. E, se tiver qualquer aflição
- como estresse, luto, sustos, dissabores - fique
tranqüila. Seu bebê não estará sofrendo.
Para que tudo corra bem depois do parto, no
entanto, é preciso que o casal se prepare. A tão
sonhada chegada do bebê pode estar sendo
precedida de sofrimentos e conflitos dos mais
diversos. As mudanças físicas são as mais óbvias
e visíveis, é claro, e deixam os pais bastante
vulneráveis. Alterações de humor, sentimentos
de culpa, ansiedade são comuns nessa fase.
Esclareça suas dúvidas com o obstetra.
Mães
ansiosas, bebês irritados
Chegou a hora,
seu filho está quase nascendo! E todas as suas
fantasias, boas ou ruins, serão concretizadas. Se
tudo correr bem tanto para a mãe quanto para o
bebê, a próxima etapa será a da amamentação,
dos cuidados gerais com ele. A partir de agora,
algumas de suas dúvidas poderão ser esclarecidas
pelo ginecologista ou pelo pediatra. Mas fique
atenta com você mesma e não deixe suas angústias
sem resposta.
Algumas mães se sentem mal ao amamentar: a dor às
vezes gera sentimentos de rejeição ao bebê. Mil
fantasias podem passar por sua cabeça e você
precisará aprender a lidar com elas. Nessa hora,
uma ajuda especializada - ou seja, de um
psiquiatra ou psicoterapeuta - é fundamental.
Saiba que mesmo com poucos dias de vida o
comportamento dos pais - principalmente o da mãe
- interfere diretamente no modo de ser do bebê.
Mães ansiosas, irritadas, deprimidas, frustradas
pela inexperiência em lidar com o novo papel
tendem a estabelecer uma dinâmica complicada no
meio ambiente da criança. Normalmente queixam-se
de que os filhos só choram, que acordam a noite
inteira, que não mamam o tempo suficiente. Se
nessa fase recebessem orientações mais
aprofundadas - com foco na própria estrutura
emocional - essas mães já estariam prevenindo
problemas futuros, como excesso de agressividade,
hiperatividade, baixa auto-estima, distúrbios de
sono, entre muitos outros.
É
melhor prevenir que remediar!
Cada fase tem
seus problemas e para todas elas existem soluções,
se você for capaz de reconhecer que, às vezes,
precisa de uma orientação psicológica. A
retirada da mamadeira, a da chupeta, a das
fraldas, por exemplo, devem ser muito bem
planejadas para que você se sinta tranqüila e
segura do que está fazendo. Dessa forma, as crianças
também estarão construindo as bases de sua
autoconfiança.
E mantenha-se atenta a toda e qualquer alteração
emocional de seu filho. A Psiquiatria Infantil é
repleta de recursos capazes de atuar
profilaticamente em distúrbios emocionais
futuros, gerando adultos mentalmente sadios e bem
estruturados para enfrentar a vida.
* A Dra. Marinês
Carvalho é médica psiquiatra infantil,
com
especialização no Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da USP.
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