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Entrevista - Maria Augusta Moura
A aposentadoria repentina, em 2002, aos 57 anos, deixou
a AFRF Maria Augusta Moura em depressão e em busca de um
sentido para a vida. Vítima de diabetes tipo 1, ela se
aposentou com retinopatia diabética, ou melhor, “foi
aposentada” depois de 22 anos dedicados à carreira. A
colega, que tem grande parte da visão comprometida,
mudou-se de Salvador para Brasília, há três anos, e
dedica-se agora às artes plásticas.
“A gente tem que se preparar para aposentar, mas eu não
tive tempo”, lembra. Foi numa licença de seis meses,
antes da aposentadoria, que fez os primeiros desenhos.
Há um ano, sua produção artística está concentrada na
criação de quadros de mandalas, o que exige muita
disciplina e estudo.
Logo após a aposentadoria por invalidez, atividades
cotidianas se transformaram em verdadeiros transtornos.
Cortava-se com faca, queimava-se no fogão. “As
dificuldades me faziam recuar diante da vida que
construíra como uma mulher forte e decidida que sempre
fui”, disse.
Munida de uma lupa de esteticista, de um outro tipo de
lupa e de óculos, ferramentas que permitiram que ela
voltasse a ler e começasse a desenhar, ela deu a volta
por cima. “Quando era moça, a primeira faculdade em que
ingressei era a de belas artes, mas abandonei”, diz.
Carreira e justiça – Formada em ciências jurídicas e
sociais, essa gaúcha, filha de um AFRF, cresceu mudando
de cidade e passou grande parte da vida em São Paulo,
onde se formou, casou e teve as duas filhas. Os últimos
oito anos como AFRF foram na Corregedoria, o que a
satisfazia plenamente.
“Sempre gostei de ser auditora, passei 13 anos na
tributação, fazia muitos pareceres.” Quanto à
Corregedoria disse: “Sempre acreditei neste órgão
forte”. A colega é ainda autora de apostila sobre ética
para o curso de treinamento dos AFRFs. O difícil,
segundo ela, foi interromper esta rotina de uma só vez.
(Reportagem – IDAAP 279 – 30 de maio de 2005)

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