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Assim
nasceu a independência
07
de Setembro de 1822
Embora o país tenha
começado a romper os grilhões coloniais no instante em que D.João VI abriu os
portos "às nações amigas", em janeiro de 1808, os fatos quer antecederam a
independência do Brasil estão diretamente ligados à Revolução Liberal do Porto,
que eclodiu em agosto de 1820.
Portugal era então governado pelo marechal inglês Beresford, que expulsara
os franceses do país. Indignados com a situação - e com o fato de custearem a
permanência de D.João VI no Brasil -, os revoltosos se aproveitaram da ida de
Beresford ao Rio para deflagrar o movimento.
Além de forçar D.João VI a retornar a Portugal a junta provisória que assumiu o
controle do país decidiu reconvocar as Cortes Gerais Extraordinárias e
Constituintes da Nação Portuguesa, que, noutros tempos, eram reunidas em épocas
de crise. E foi graças à intransigência das Cortes que os fatos se precipitaram,
não deixando aos brasileiros outra opção que não a luta pela independência. Como
Portugal não tinha uma Constituição, D.João VI foi forçado a jurar uma nova, que
se baseava na Constituição espanhola de 1812.
Pelas novas regras do jogo, o Brasil - que, desde 1808, ocupava uma posição
de supremacia no império português - perdia seus privilégios e teria de voltar a
se submeter inteiramente ao governo da metrópole.
Mas o novo regime, representativo, permitiria a participação brasileira no
governo de Lisboa.
O problema era que, de acordo com as novas leis, as colônias eram
sub-representadas e as eleições, indiretas. Assim sendo, das 181 cadeiras das
Cortes, apenas 72 poderiam ser ocupadas por deputados brasileiros e, entre
esses, havia os que eram francamente favoráveis à metrópole.
Apesar dessas vantagens, as Cortes sequer esperaram que todos os representantes
do Brasil chegassem a Lisboa para, em 7 de março de 1821 - com somente 46 dos 72
brasileiros presentes no plenário -, votar a emenda que simplesmente dissolvia o
reino do Brasil.
Na verdade, não era difícil perceber que o propósito básico das Cortes era
"recolonizar" o Brasil. Em sessões tensas e tumultuadas, com os deputados quase
trocando sopapos, as Cortes decidiram que o Brasil não apenas deixaria de ser um
reino unido a Portugal como também o vice-reinado, com sede no Rio de Janeiro,
não seria restabelecido. Em vez de possuir um governo central, o Brasil seria
dividido em províncias autônomas, cujos governadores (militares) seriam nomeados
pelas próprias Cortes.
Foram eliminadas também todas as agências, repartições públicas e tribunais
de justiça estabelecidos depois de 1807. Além disso, estavam
sumariamente demitidos todos os juízes, advogados, escreventes e burocratas que
ocupavam esses postos. E, como se não bastasse, as Cortes exigiam o retorno
imediato a Lisboa do príncipe regente já que, na opinião dos deputados, não
tendo mais o Brasil um governo central, a presença de D. Pedro no Rio passava a
ser figurativa. Mas as Cortes decidiram também que não havia lugar para D.Pedro
em Portugal: o príncipe deveria fazer, incognitamente, "uma viagem pela
Inglaterra, França e Espanha para aprofundar sua educação, de modo a, algum dia,
poder ocupar condignamente o trono lusitano".
Uma declaração de guerra não teria efeito maior: enquanto o Brasil se preparava
para entrar no século 19, as Cortes propunham um retorno ao século 17. Embora as
determinações fossem absurdas e injustas, D.Pedro estava decidido a cumpri-las.
Afinal, as tropas portuguesas estacionadas no Rio e os comerciantes lusitanos
residentes no país assim o exigiam. Mas então, em janeiro de 1822, o príncipe
recebeu uma petição escrita por José Bonifácio e assinada por toda a junta
provincial de São Paulo.
Era um documento poderoso, que clamava que o príncipe desafiasse as Cortes e
permanecesse no Brasil. O texto, comovente, emocionou D.Pedro e mudou o rumo da
história do Brasil.
Eduardo Bueno/Zero Hora/Agência RBS
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