7. A Dieta na Doença de Alzheimer

Como Ajudar o Paciente com Alzheimer


A alimentação é uma das funções mais importantes do ser humano, uma vez que garante a sua sobrevivência. As relações entre dieta e nutrição com as enfermidades neurológicas são muito prevalentes e variadas. Muitas enfermidades neurológicas são conseqüência da má nutrição ou consumo inapropriado de nutrientes ou da ingestão de nutrientes nocivos, uso de agentes que interferem no metabolismo, absorção dos elementos essenciais e/ou dos erros inatos do metabolismo.

Algumas das anormalidades neurológicas relacionadas à nutrição são reversíveis após a correção da dieta. Isto significa que a dieta pode ser instrumento terapêutico e preventivo de muitas neuropatias (TEIXEIRA et al, 2001).
 

As razões da desnutrição do idoso são várias. Entre elas: baixa ingestão de alimentos em geral, com redução da ingestão calórica total ou menor ingestão de alimentos ricos em proteínas com predomínio de alimentos ricos em carboidratos, tipo industrializados que não exigem preparo culinário (pães, bolachas, macarrão).

Estas modificações da dieta do idoso caracterizam uma desnutrição por deficiência de proteínas. Parece que uma alimentação rica em carboidratos e pobre em proteínas em idosos pode levar a redução da atenção e estado de alerta.

Este fato estaria relacionado à diminuição de síntese de neurotransmissores cerebrais (BORGES et al, 1997). 
 

A perda de peso não explicada é um achado clínico freqüente em pacientes com DA.

A Força Tarefa da Doença de Alzheimer do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e de Comunicação e Derrames incluiu a perda de peso como uma "característica clínica compatível com o diagnóstico do mal de Alzheimer".

Além disso, tem-se postulado que a DA pode ser caracterizada pela disfunção da regulação do peso corporal. A perda de peso é devida ao desajuste entre ingestão energética e gasto de energia, o que leva a um baixo peso corporal, atrofia da massa muscular e perda acelerada da independência funcional do paciente com DA (POEHLMAN & HORTON, 2003). 
 

A perda de peso também aumenta os riscos de úlceras de decúbito, infecção sistêmica, mortalidade e maiores recursos com assistência médica.

Embora ainda não seja possível prevenir, tratar ou alterar permanentemente o curso da doença subjacente, a identificação e a melhora dos problemas nutricionais pode mostrar-se uma estratégia ideal para minimizar o ônus da doença (POEHLMAN & HORTON, 2003).
 

A existência de próteses, alterações dentárias ou ausência dos dentes, motiva o idoso a preferir alimentos pastosos e moles, diminuindo o consumo de alimentos ricos em fibras, vitaminas e minerais, principalmente verduras e frutas.

Estas modificações estão acentuadas nos idosos com doença crônica degenerativa de piora progressiva (BORGES et al, 1997).
 

Os pacientes de Alzheimer, com suas limitações físicas e comprometimentos cerebrais, têm dificuldades no andar e no auto-cuidado, o que os torna dependentes de terceiros, podendo apresentar isolamento social e depressão.

Podem ainda apresentar perda do caráter seletivo frente à alimentação, com ingestão de alimentos estragados ou mesmo de outras substâncias que não alimentos.

Torna-se assim, de suma importância a atuação de uma equipe multidisciplinar que acompanhe o paciente e desta equipe devem fazer parte o nutrólogo e o nutricionista (BORGES et al, 1997.


O desequilíbrio energético associado a DA é causado pela redução da ingestão energética, por uma elevação da taxa de gasto energético ou uma combinação de ambos? Os estudos que examinam a adequação calórica das dietas de pacientes com DA como um fator potencial de contribuição na perda de peso levaram a resultados inconclusivos. Isso não é de surpreender, uma vez que o registro da ingestão alimentar é um método não confiável e que fornece pouca informação proveitosa sobre a real ingestão energética habitual. Portanto, os pesquisadores têm enfocado a possibilidade de que o gasto energético elevado contribua para a perda de peso inexplicada, em pacientes com DA. Uma questão importante, entretanto, é se os pacientes com Alzheimer e não hospitalizados apresentam um gasto energético diário maior do que as pessoas idosas normais (POEHLMAN & HORTON, 2003). 
 

Por motivos ainda não conhecidos, ao longo do processo de envelhecimento, o cérebro dos homens sofre mais mudanças, encolhendo mais rápido do que o das mulheres.

Uma possível razão é que o estrogênio parece proteger o cérebro das mulheres, pois aumenta a atividade dos neurotransmissores, sobretudo da acetilcolina, que atua como potente preservador da memória em mulheres idosas e possivelmente, funcione como um antídoto parcial à DA. Desta forma vale a pena enfatizar o uso da colina, presente no ovo, gérmen de trigo, peixes, verduras, couve-flor e lecitina de soja (CARDOSO, 2003). O uso de proteínas animais na dieta, especialmente as ricas em aminoácidos tirosina, triptofano, também precursores dos neurotransmissores cerebrais, poderiam influenciar o curso da DA. Parece haver algumas evidências de que a carnitina, aminoácido presente nas carnes, possa reduzir a progressão da doença (BORGES et al, 1997).
 

A relação de ingestão de ácidos graxos essências, omega 6 e 3 também merece atenção, pois o consumo atual de ácidos graxos omega-6 em forma de margarina e produtos de confeitaria superam as do tipo omega-3 do peixe.

Entre os tipos de omega-3, o ácido docosahexaenóico (DHA) se concentra nas membranas dos centros de comunicação sinápticos, no córtex cerebral, nas mitocôndrias e nos fotoreceptores da retina do olho. É necessário para construir e preservar estruturas celulares cerebrais flexíveis e pode ser encontrado nos peixes de água salgada e fria ou em suplementos. O DHA aumentou o suprimento de acetilcolina no cérebro de animais de laboratório e reverteu danos de problemas de aprendizado nesses animais.

O ácido eicosapentaenóico (EPA) é encontrado no óleo de peixe e em peixes gordos, especialmente salmão, sardinha, cavalinha, linguado, viola, atum, cherne, truta e arenque. O omega-3 desempenha influência positiva na síntese das prostaglandinas, proporcionando propriedades antiinflamatórias; diminuem níveis de colesterol e triglicerídeos; possui propriedades anticoagulante, reduzindo adesividade e agregação antiplaquetária (CARDOSO, 2003).
 

A gordura monoinsaturada, como o azeite de oliva, pode ser benéfica para a memória, pois contem antioxidantes e compostos fenólicos. Neste alimento o conteúdo de ácido linoléico (da lipoproteína de baixa densidade - LDL) é reduzido, havendo assim um menor consumo celular por parte dos macrófagos e diminuição da susceptibilidade da LDL à oxidação (CARDOSO, 2003).
 

A carne vermelha contém alto nível de gordura saturada, logo devemos dar preferência às aves de carne branca e sem a pele, pois têm baixo teor de gordura e são boas fontes de proteína, importantes para o cérebro (CARDOSO, 2003).
Excesso de ácidos graxos ômega-6 podem levar a inflamação persistente do tecido cerebral. Essa inflamação pode danificar os vasos sanguíneos cerebrais, ativando processos que podem destruir as células cerebrais, deformar membranas das células nervosas, perturbando seu funcionamento normal e interferindo na transmissão de mensagens entre os neurônios, promovendo derrames, Alzheimer e provavelmente todas as doenças degenerativas do cérebro. O metabolismo dos ácidos graxos ômega-6 envolvem substâncias semelhantes a hormônios conhecidos como eicosanóides, entre elas prostaglandinas, leucotrienos e citoquinas, bem como os radicais livres, todas podendo gerar inflamação. O ácido araquidônico (20 : 4 w-6), está profundamente relacionado à morte de células nervosas. Além de gerar eicosanóides, que levam a inflamação e radicais livres, o ácido araquidônico estimula a produção de glutamato, o principal neurotransmissor iniciador da execução dos neurônios, envolvido no dano cerebral decorrente do envelhecimento e de derrames (CARDOSO, 2003).

 


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