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ALZHEIMER
Um depoimento muito esclarecedor da doença.
Obrigo-me a manifestar-me.
Antes de ser um médico, acho-me um ser humano. É amigo...orientando
um amigo.
Minha segunda mãe, dita sogra, além de centenas de parentes, mães e
avós de minhas clientes, também sofre do mesmo mal de Alzheimer...
doença familial que poderá atacar muitas pessoas queridas minhas na
senilidade.
Não estarei aqui para vê-las pois meu ciclo de vida fechar-se-á
antes dos 70 anos, e elas chegarão aos 90 talvez 100 anos!
Mas é muito triste ver uma pessoa apagar-se a nossos olhos, dia a
dia.
Não nos reconhecendo mais, abobada, perdendo o juízo crítico e
tornando-se alienada mentalmente (Alzheimer é demência senil,
loucura total progressiva, perda de todo e qualquer sanidade
mental... que vai tomando a pessoa pouco a pouco.. apagando o mundo
real à sua volta), perdida dentro de si mesma.
Não tem tratamento apenas paliativos sintomáticos.
Mas existem formas de adiar seu estabelecimento definitivo,através
de muito uso da mente como um exercício diário e constante: fazer
com a mão esquerda atividades que só a mão direita as faz (trocar de
mão...ativando o outro lado cerebral), palavras cruzadas, pintar e
desenhar, procurar em dicionários palavras que não sabe o
significado ou ortografia, ler muito e refletir sobre o que leu,
decorar letras de músicas da parada recente, fazer karaokê, decorar
poesias ou textos, listar os amigos e parentes com telefone
completo, lembrar-se das placas, cores, modelos de todos os carros
que já teve, desvendar filmes intrigantes, lembrar-se do número das
contas bancárias atuais, do CPF, do RG, da Carteira de Motorista,
jogos mentais e que forcem o raciocínio (na NET tem mil mas pode ser
um jogo da velha, damas, xadrez, etc.), fazer uma lista escrita de
TODOS os seus parentes (incluindo irmãos, sobrinhos, tios e toda a
sua família), lista completa de quem já morreu nos últimos 10 anos,m
escrever muito diariamente, forçar a inteligência, lembrar-se na
marra do que esqueceu no momento (perde-se milhões de neurônios se
não tentarmos chegar ao ponto escondido da memória... do lembrar-se
do que está-se perdendo ), usar a cabeça... fazer ginástica
cerebral!
A estagnação cerebral leva mais rapidamente à chegada dela... a
loucura senil.
Sinais iniciais: esquecimento fácil de coisas rotineiras, nomes de
pessoas, de artistas superconhecidos e de situações do passado
recente (onde pus, onde está o....?), confusão mental (sentir-se
perdida ante uma situação fácil de ser resolvida), crises emocionais
(agressividade ou apatia sem sentido), andar sem rumo e com agitação
querendo ir a lugares inexistentes (vaguear sem sentido),
perda da afetividade (parar de gostar das coisas e pessoas que
compõem o seu cotidiano), incapacidade de reconhecer ou comunicar-se
com as pessoas, distúrbios da fala (incoerência ou silêncios
repetidos), detestar o passado (é uma forma de pôr o cérebro em
descanso, sem pensar, é típico de pessoas que se esclerosam
rapidamente), não reconhecer situações, fatos, amigos ou parentes
afastados quando os encontra, piorar os hábitos higiênicos ou
aboli-los, descontrole total da bexiga (depois incontinência fecal
totalmente), agressividade sem motivo aparente, melancolia
inexplicável, insônia, uso constante de medicamentos que tornam a
cognitividade preguiçosa (remédios para dormir ou relaxar), perda do
controle de saldos bancários e atividades costumeiras, não
lembrar-se do que fez nos 3 últimos dias (Faça este teste:
minuciosamente, escreva tudo o que você fez desde há 3 dias: que
horas levantou-se, o que fez primeiro, que roupa usou,com quem
interagiu primeiro, etc, etc, como um filme recente que tem que ir
passando pela cabeça lentamente e sem falhas.
Escreva a tente completar o desenvolvimento pormenorizado destes 3
dias).
Tente ser detalhista, faça uma lista diária de suas atividades e
cumpre-as!
Lute...ponha seu cérebro para exercitar-se!
A doença é própria do sedentarismo ... MENTAL!
Reaja!!!
Meu abraço,
Nelson Antonio
PS - Abaixo listo alguns dos mais modernos textos
médicos sobre a doença de Alzheimer. Para consulta e
leitura... apenas para quem tenha casos em família.
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Uma, em cada 10 pessoas maiores de 80 anos será portadora da Doença
de Alzheimer a cada ano que passa. A mesma probabilidade vale para 1
a cada 100 pessoas maiores de 70 e 1 a cada 1000 pessoas maiores de
60 anos. Esta é a avaliação de 1999, feita pela Federação Espanhola
de Associações de Familiares de Enfermos de Alzheimer (AFAF) A
Doença de Alzheimer acomete de 8 a 15% da população com mais de 65
anos (Ritchie & Kildea, 1995).
Existem atualmente em todo o mundo entre 17 e 25 milhões de pessoas
com a Doença de Alzheimer, o que representa 70% do conjunto das
doenças que afetam a população geriátrica. Assim, a Doença de
Alzheimer é a terceira causa de morte nos países desenvolvidos,
perdendo apenas para as doenças cardiovasculares e para o câncer. Os
pacientes de Alzheimer já são quatro milhões, nos Estados Unidos. No
Brasil, não há dados precisos, mas estima-se que a confusão mental
atinge por volta de meio milhão de idosos.
Demências e Depressão
Talvez a atual e grande importância da Doença de Alzheimer e outros
estados demenciais se deva às estatísticas epidemiológicas que se
têm sobre eles, as quais mostram uma prevalência de Demência em
maiores de 65 anos em torno de 6-10%. Para o mesmo grupo etário, a
prevalência da Depressão se situa em patamares ligeiramente menores,
porém, com a mesma magnitude.
A relação entre Depressão e Doença de Alzheimer é um tema de grande
interesse e tem motivado várias análises (Serra-Mestres, 1998;
Reifler, 1997).
O DSM-IV define a Demência como o desenvolvimento progressivo de
déficits cognitivos múltiplos suficientemente severo para causar
comprometimento nas ocupações cotidianas, sociais ou ocupacionais,
incluindo comprometimento da memória e, no mínimo, um dos seguintes
sintomas;
afasia, apraxia, agnosia e disfunção executiva (DSM.IV).
DOENÇA DE ALZHEIMER
Na Doença de Alzheimer há um encolhimento total do tecido cerebral.
Os sulcos cerebrais são visivelmente mais alargados, há um
encolhimento do gyri (plural do gyrus), as dobras tornam-se bastante
acentuadas. Além disso, os ventrículos, que contêm o líquido
cerebrospinal, são visivelmente ampliados.
Nos estágios mais adiantados da Doença de Alzheimer, a memória a
curto prazo começa a declinar, juntamente quando parte do hipocampo,
que faz parte do Sistema Limbico, degenera. Com isso, a habilidade
em executar tarefas rotineiras também declina.
Enquanto a doença de Alzheimer se espalha através do córtex cerebral
(a camada exterior do cérebro), a capacidade de crítica e julgamento
declinam, crises emocionais podem ocorrer e a linguagem se
compromete. A progressão da doença conduz à morte de maior parte de
tecido nervoso, proporcionando expressivas mudanças do
comportamento, tais como vaguear sem rumo e agitação.
A habilidade de reconhecer pessoas e de se comunicar é completamente
perdida nos estágios finais.
Os pacientes com Doença de Alzheimer perdem o controle da bexiga, e
necessitam, eventualmente, de cuidados constantes.
Este estágio da dependência completa pode durar anos antes do
paciente morrer. O tempo médio do diagnóstico à morte costuma ser de
4 a 8 anos, embora possa haver casos de 20 anos ou de mais.
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O que é a doença de Alzheimer?
A fisiopatologia da Depressão na Doença
de Alzheimer
Para profissionais da Área
A Doença de Alzheimer é definida como a presença de uma demência com
déficits em mais de duas áreas cognitivas, como por exemplo, na
memória, linguagem, praxia, gnosias e planejamento, com piora
progressiva, iniciando-se entre 40 e 90 anos, e na ausência de
outras doenças sistêmicas (circulatórias, tumorais, traumáticas,
etc.) que pudessem ser a causa.
O exame clínico do paciente com Doença de Alzheimer pode oferecer
uma série de achados que apóiam esse diagnóstico, mas que não são
obrigatoriamente necessários, ou ao menos, não são obrigatoriamente
simultâneos, como por exemplo, a afasia, apraxia, agnosia ou
disfunção visual-espacial progressivas, o comprometimento das
atividades da vida diária, as mudanças de comportamento e uma
história familiar positiva para essa doença.
Ainda é possível, no quadro clínico da Doença de Alzheimer, a
existência de possíveis períodos de estabilidade clínica (platôs de
acalmia), a presença de sintomas psiquiátricos, entre eles a
depressão, a insônia, delírios, ilusões, alucinações, mudanças de
conduta, do sono. Há também a presença de sintomas vegetativos, tais
como, perda de peso e anomalias neurológicas em fases mais
avançadas.
Estas podem se apresentar como mioclonias, parkinsonismo,
hipertonia, alteração da marcha e crises convulsivas. Alguns
casos são atípicos, se apresentando com crises ou transtornos da
marcha desde o início. Os critérios de diagnósticos devem
ainda considerar os diversos graus de gravidade e de avanço da
doença
A Depressão (concomitante, conseqüência
ou agravante?)
na Doença de Alzheimer
A definição de depressão deve considerar
cinco tipos de apresentação do quadro depressivo:
1.. Episódio Depressivo,
b.. Transtorno do Humor devido a outra condição médica,
c.. Transtorno Depressivo Recorrente,
d.. Distimia.
Ao se estudar a Depressão no paciente com Doença de Alzheimer, o
item 2, acima (como conseqüência fisiológica e direta de uma
condição médica geral), é a modalidade que mais interesse desperta.
Por definição, todos Episódios Depressivos atribuídos a transtornos
neurológicos se classificam como Transtornos do Humor devidos a uma
condição médica geral, a qual deve ser especificada (veja em DSM.IV).
De modo geral o conceito de Depressão
(veja Depressão) implica numa mudança do afeto para um humor
deprimido ou uma diminuição notável do interesse e do prazer. Como
se vê, por esses dois parâmetros (humor deprimido e diminuição do
interesse) a Depressão pode ter um território muito amplo no ser
humano. Ela pode aparecer também em muitos transtornos clínicos e
neurológicos, particularmente naqueles que produzem apatia. A apatia
pode facilmente interpretar-se como falta de interesse ou prazer nas
atividades.
Tudo isso está sendo discutido para analisarmos até onde a Depressão
que acompanha a Doença de Alzheimer pode ser considerada como
conseqüência fisiológica e direta de uma condição médica
(neurológica). Mas, quando a causa médica presumível da
Depressão é uma entidade sem um marcador biológico concreto (sem
exame de laboratório decisivo e específico), como acontece na Doença
de Alzheimer, saber se a depressão que aparece junto é causada
pela doença de base (Alzheimer), se é concomitante (comórbida) ou
agravante será sempre uma elucubração (Green, 1997).
A Doença de Alzheimer é uma das diversas doenças cerebrais
possivelmente reconhecidas como causa de depressão no idoso.
Provavelmente não podemos considerar a Doença de Alzheimer um fator
isolado na origem da Depressão no paciente demenciado.
Devemos considerar a Doença de Alzheimer como um fator a mais, no
complexo mecanismo das causas médicas e neurológicas da depressão.
Os pacientes com Doença de Alzheimer que sofrem depressão,
freqüentemente têm antecedentes familiares de Transtornos
Depressivos (Harwoode, 1999), o que permite sugerir que os fatores
hereditários são importantes na gênese dos sintomas depressivos dos
pacientes com Doença de Alzheimer. Não parece haver relação entre a
freqüência dos alelos 4 da ApoE, o fator genético predisponente
fundamental para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer, e a
depressão de início senil que surge com ou sem Doença de Alzheimer (Class,
1997; Forsel, 1997). A causa da depressão na Doença de Alzheimer
continua sem esclarecimento.
Alguns estudos de neuroimagem funcional (PET e SPECT) implicam que
existe um desajuste dos lobos frontais, mas isso pode acontecer
tanto na depressão primaria como da depressão conseqüente à outros
transtornos neurológicos. Outros estudos histopatológicos demonstram
mais degeneração do locus coeruleus e da substância negra em
pacientes com demência e depressão em comparação com pacientes
dementes mas sem depressão.
Também está bem demonstrada na Doença de Alzheimer, o acometimento
do locus coeruleus e dos núcleos da rafe, que são os locais onde
nascem as vias ascendentes noradrenérgicas e serotoninérgicas, (Zubenko,
1988).
Ainda em relação à neuroimagem, a hiperintensidade de substância
branca frontal se associa com índices de depressão mais altos em
pacientes com demência. Obviamente são maiores em pacientes com
demência vascular que na Doença de Alzheimer, ou na doença por
corpos de Lewi difusos.
A hiperintensidade occipital se associa com ausência de alucinações
visuais e ilusões (Barber, 1998).
Com o SPECT também tem se encontrado uma relação significativa entre
o nível de apatia e a hipo-perfusão cingulada anterior e
temporo-parietal direita.
Com PET se tem visto hipoperfusão nos córtex frontais superiores
bilaterais e o cingulado anterior esquerdo (Craig, 1996; Ott, 1996;
Hirono, 1998).
Pode ser que algumas alterações neuro-anatômicas típicas da Doença
de Alzheimer sejam causas dos sintomas depressivos.
Necropsias de pacientes com Doença de Alzheimer e depressão
mostraram importantes reduções de bioaminas no locus coeruleus
(noradrenalina), núcleos dorsais do rafe (serotonina), e na
substância negra (dopamina) (Zweig, 1988; Zubenko, 1990).
Todo esse trajeto tem uma forte correlação anátomo-química (noradrenérgicos,
serotoninérgicos e dopaminérgicos) da depressão.
Os pacientes com Doença de Alzheimer também têm alterações
estruturais no sistema límbico e na convexidade dos lóbulos
frontais, e este substrato anatômico tem sido implicado na produção
de sintomas depressivos (Robinsom, 1985).
Outra hipótese, que parece justificar o porque da depressão na
Doença de Alzheimer não ser predominantemente grave, seria o déficit
de acetilcolina produzido pela Doença de Alzheimer.
Esse déficit de acetilcolina exerceria um fator protetor contra o
desenvolvimento de sintomas depressivos graves e francos.
Isso poderia explicar a taxa relativamente baixa de episódios
depressivos maiores na Doença de Alzheimer, mesmo havendo tanto
fatores ambientais e situacionais favorecendo essa ocorrência (Cummings,
1987).
Sabe-se, em relação a esse aspecto, que os agentes anticolinérgicos
produzem euforia, e a administração de agentes colinérgicos pode
precipitar depressão na Doença de Alzheimer (Goggim, 1979; Smith,
1980; Davis, 1987).
De qualquer forma, é importante ter em mente que a incidência de
depressão em pacientes com demência tem sido estimada entre 6 e 86%
(Brodaty, 1996; Elmstahl, 1998).
São números desagradavelmente extremos e oriundos de vários estudos
que podem refletir, inclusive, a discrepância entre os diversos
conceitos de Depressão.
Quando se utilizam os critérios estritos de Episódio Depressivo, em
muitos estudos rigorosos a incidência de depressão em pacientes com
demência varia entre o 10 e 20% dos pacientes com Doença de
Alzheimer.
Com outros critérios mais flexíveis podem ser obtidos números
maiores, entre 40 e 50% (Reding, 1985; Kral, 1983; Wragg, 1989).
Portanto, a incidência real de depressão em pacientes com demência é
difícil de se averiguar, principalmente se levarmos ainda em
consideração que essa incidência deve variar segundo o estado da
doença e a gravidade do comprometimento cognitivo.
Em uma amostra determinada, a depressão aumentou de apenas 7 %, em
pacientes sem comprometimento funcional, até 39% em casos leves a
moderados de comprometimento funcional (Reisberg, 1989).
Mas existem estudos que até mesmo contradizem esse aumento da
depressão com o declínio cognitivo (Cooper, 1990).
Diante de todas essas discrepâncias, Miguel Baquero Toledo (1999)
sensatamente considera que a depressão pode ser mais comum nas
demências do tipo não-Alzheimer que na própria Doença de Alzheimer.
Ele acha que há mais depressão na demência por corpos difusos de
Lewi, na demência por doença de Huntingtom ou por doença de
Parkinson, onde se citam incidências de até 50%, e maiores ainda na
chamada demência vascular, onde a depressão se torna mais grave e
duradoura (Ballard, 1999; Simpson, 1999; Newman 1999; Reichman,
1995).
Mas, já que devemos ter alguma estimativa razoável sobre a
incidência de depressão em pacientes com demência, vamos considerar
que esses números superam 20%, muitas vezes chegando ao redor de
50%, sendo, de qualquer forma, bastante superior à prevalência da
depressão na população geral da mesma faixa etária e não demente, a
qual gira em torno de 15% (Swartz, 1986).
Outro dado significativo, é que nas mulheres e nos casos onde a
demência surge mais precocemente, as pessoas parecem sofrer mais
freqüentemente de depressão (Lawlor, 1994; Harwood, 1999).
A Clínica da Depressão na Doença de Alzheimer
A depressão na Doença de Alzheimer implica em pior prognóstico pois,
como sempre, acaba piorando a capacidade funcional do paciente,
predispõe à institucionalização (internação) mais precoce e se
associa a maior mortalidade (Pearson, 1989; Rovner, 1991).
Alguns autores têm considerado que, na vigência de depressão na
Doença de Alzheimer, esta poderia ter uma natureza pre-mórbida, ou
seja, ser proveniente de um traço pessoal depressivo prévio.
Os pacientes com Doença de Alzheimer e depressão precoce poderiam
ter depressão por alguma característica pessoal ou, inclusive, ter
alguma predisposição familiar para a depressão (Strauss, 1996;
Strauss, 1997).
Outros autores começam a conjeturar se os sintomas depressivos em
idosos sem esses antecedentes pessoais não seriam um estado
pré-clínico da demência, tal como se tratasse de sinais
premonitórios ou prodrômicos da demência (Berger, 1998; Chen, 1999;
Wetherell, 1999).
De modo geral, as manifestações da Depressão no paciente com
Demência variam com a gravidade da disfunção cognitiva. Com um
comprometimento leve ou moderado, a depressão pode se tornar um
problema importante. Em muitas ocasiões, se complica com agitação e
até com sintomas psicóticos (Fischer, 1990; Levy, 1996).
As manifestações clínicas nas fases iniciais costumam ser as mesmas
da Depressão típica, tais como tristeza, tendência ao choro,
ansiedade, medo, apatia, desesperança, o transtorno de sono, o
desassossego e perda de peso. Embora o suicídio não seja tão
freqüente, a ideação suicida ou achar que morrendo seria melhor pode
ser constante (Rao, 1997).
Em comparação com o típico Episódio Depressivo do Transtorno
Depressivo Recorrente, a depressão da Doença de Alzheimer tende a
apresentar mudanças de humor mais breves, leves e recorrentes,
portanto, o humor é algo mais instável. Em quanto a grupo de idade,
embora os pacientes mais velhos tenham menos problemas de auto
estima e sentimento de culpa que os mais jovens, eles têm mais
queixas somáticas, mais anorexia e perda de peso, mais transtornos
psicomotores e mais doenças clínicas associadas.
Em alguns casos de demência moderada, pode ser possível que os
pacientes manifestem unicamente sinais vegetativos, como por exemplo
a perda de peso, anorexia, insônia, etc., sem a maioria dos sintomas
emocionais típicos da depressão. Outro grupo de pacientes pode
demonstrar só irritabilidade ou queixas somáticas múltiplas.
Finalmente, os pacientes com Doença de Alzheimer e Depressão podem
ter mais transtornos de conduta, tais como agitação, quadros
delirantes ou confusionais.
A depressão da Doença de Alzheimer cursa normalmente com ansiedade
de intensidade apenas moderada (Bungener, 1996), mas a tríade apatia
- desânimo - desinteresse, a insônia e a anorexia podem ser
marcantemente presentes.
Também em outros tipos de demência, notadamente no tipo cortical e
sub-cortical, a apatia é provavelmente o transtorno de conduta mais
freqüente (Marin, 1995). No quadro neurológico denominado Paralisia
Supra-Nuclear Progressiva, comparado com a Doença de Alzheimer, há
notoriamente muito mais apatia, menos agitação e menos
irritabilidade (Litvan, 1996). Também aparece mais apatia
quando a Doença de Alzheimer acomete predominantemente regiões
frontais.
A apatia da Doença de Alzheimer pode acometer até 90% dos casos e
costuma ser o sintoma mais mal tolerado pelas pessoas que cuidam
desses pacientes. Normalmente esses cuidadores se queixam que os
pacientes não têm iniciativas, nem motivações, nem interesse em
quaisquer atividades ou mesmo nas relações interpessoais. É
pois, extremamente importante que os cuidadores tenham essa noção,
para não exigirem de seus pacientes aquilo que eles não podem dar.
A insônia é uma queixa freqüente em pacientes com Doença de
Alzheimer, acometendo aproximadamente 45% deles. Essa insônia,
quando existe, é progressiva, começando por um aumento gradual dos
despertares noturnos, pouco sono REM, e diminuição das ondas lentas
do sono. O típico transtorno do sono na Doença de Alzheimer,
entretanto, não é a própria insônia, é pois, paradoxalmente, a
hipersonia (excesso de sono), que aparece como conseqüência de
despertares muito cedo. Essa é a fase onde os acompanhantes dizem
que o paciente "trocou o dia pela noite" (inversão do ritmo
nictameral). Os despertares muito cedo também costumam ser muito
incômodo para os cuidadores (McCurry, 1999).
Na Doença de Alzheimer também têm sido observados muitos Transtornos
Alimentares, tanto no sentido da anorexia, como no da hiperfagia.
Uma das alterações mais típicas talvez seja a alteração da
preferência alimentar, como por exemplo, a súbita preferência por os
doces antes indiferentes (Cullen, 1997). Não estão claras quais são
as causas dessas mudanças, mas elas podem se relacionar com mudanças
biológicas internas e com mudanças ambientais. Os pacientes têm
menor capacidade de detectar as sensações internas e externas da
necessidade de comida ou da saciedade da fome.
Há ainda observações de mudanças na esfera sexual. Todos parecem
concordar com uma diminuição da atividade sexual e perda da libido
como uma das mudanças mais comuns. Entretanto, há casos com
hiper-sexualidade, tanto sob a forma de um aumento da libido, como
surgimento de eventuais agressões sexuais. A hiper-sexualidade,
quando presente, pode caracterizar um quadro chamado de Síndrome de
Kluver-Buci, onde a hiper-sexualidade se manifesta juntamente com
hiperfagia e hipersonia.
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Os sintomas da Doença de Alzheimer aparecem lentamente. O
período médio entre o primeiro e o último estágio é cerca de 8 anos.
Este período pode, entretanto, variar muito de uma pessoa para
outra. No estágio inicial a pessoa com Doença de Alzheimer parece um
pouco confusa e esquecida. Ela pode não encontrar palavras para se
comunicar direito, pode deixar pensamentos inacabados, pode esquecer
com freqüência fatos e conversas recentes.
Curiosamente, entretanto, ao mesmo tempo em que está prejudicada a
memória para fatos recentes, como por exemplo o que teve no
jantar de ontem, pode haver lembranças claras de um passado mais
distante.
O paciente freqüentemente se lembra e repete histórias de sua
infância com riqueza de detalhes impressionante
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Fica prejudicada também a capacidade de lidar com as coisas
(pragmatismo), e o paciente começa a precisar de ajuda para executar
tarefas rotineiras, anteriormente realizadas com facilidade.
Ele pode, com o evoluir da doença, não mais reconhecer seus
familiares, os locais familiares e mesmo esquecer como realizar
tarefas simples, como por exemplo, se vestir, tomar remédios, tomar
banho, etc.
Essa progressão da doença leva a um estágio mais avançado, quando
então a pessoa perde completamente a memória, a capacidade de
julgamento e o raciocínio. Daí em diante será necessário ajudá-la em
todos os aspectos do dia a dia.
Outras Alterações do Comportamento
Alterações comportamentais acontecem na Doença de Alzheimer com
variável freqüência.
De 30 a 50% dos pacientes apresentam algum tipo de delírio.
Entretanto, é sempre difícil caracterizar o delírio do paciente com
Alzheimer porque, na maioria das vezes o que existe é uma
desorientação tão grande em relação ao local, à data e às pessoas
que podemos pensar tratar-se de delírio (mas não é, é
desorientação).
Delírio seria uma crença de natureza mais absurda e bastante
irremovível.
De 10 a 25% deles têm alucinações e a maioria, de 40 a 60% tem
sintomas depressivos.
Pacientes com transtornos psicóticos prévios, e que começam a
apresentar prejuízo progressivo da cognição (integração da
consciência), evoluem muito mais rapidamente para a demência.
Havendo alguma doença mental anterior à Doença de Alzheimer,
principalmente doenças do tipo psicose, fará com que o paciente
apresente muito maiores alterações comportamentais, tais como
delírios, alucinações, agressividade, agitação, furor, mudanças de
personalidade, alterações sexuais e perda das noções de higiene.
As Confusões
O paciente com Doença de Alzheimer confunde facilmente a realidade
e, para ele, não é claro a diferença entre o presente do passado,
assim como não é claro a diferença entre esse ou aquele filho ou
parente. Essa alteração da consciência é que chamamos de alteração
cognitiva.
A confusão que ele faz entre as pessoas da família pode ser muito
frustrante, acostumados que estamos a sermos bem identificados por
todos. Cada situação merece ser tratada diferentemente.
Devemos decidir se o assunto em questão é importante, se é
importante que o paciente saiba realmente quem é essa pessoa ou não.
Às vezes podemos deixar as coisas como estão, outras vezes devemos
lembrar a identidade da pessoa confundida.
De vez em quando a personalidade do paciente com Doença de Alzheimer
sofre mudanças. As mudanças mais comuns são a depressão, a
regressão, apatia, irritabilidade, desconfiança e impaciência.
Também podem ocorrer alucinações (ver coisas que não existem) e
ilusões (crenças irracionais), mais freqüentemente no início da
noite. Diante de tais problemas é bom consultar o médico para
orientação.
Quem pode ter a doença de Alzheimer?
A doença de Alzheimer geralmente afeta as pessoas acima de 65 anos.
Quanto mais velha a pessoa, maior a probabilidade de desenvolver a
doença. Entretanto, algumas vezes as pessoas mais jovens, por volta
dos 40 anos, podem também ser afetadas. Portanto, em tese, todas as
pessoas estão sujeitas a esta doença. Nenhuma profissão, nível de
escolaridade, raça ou nível sócio-econômico está imune.
Em certo número de casos a doença de Alzheimer pode ter uma natureza
familiar, enquanto em outros, apenas uma pessoa da família pode ser
afetada. De qualquer forma, as pesquisas genéticas sobre a doença
têm evoluído bastante e, até agora, parece haver uma certa
predisposição constitucional para desenvolver esse mal (veja acima
as pesquisas sobre o gene defeituoso, chamado Apo-E)
Tratando a Doença de Alzheimer
Os objetivos do tratamento são, infelizmente, apenas no sentido de
controlar os sintomas mais incômodos e estimular o treinamento
familiar para se aprender a lidar com pessoa doente. Os medicamentos
podem melhorar os sintomas em alguns casos, principalmente os
sintomas de irritabilidade, depressão, inquietação, alteraçães do
ritmo sono-vigília, etc.
É essencial traçar um plano de atenção ao paciente com Doença de
Alzheimer que inclua cuidados gerais, cuidados médicos e supervisão
sócio-familiar. Visitas regulares ao médico ajudarão a monitorar as
condições do paciente, verificando se existem outros problemas de
saúde que devam ser tratados.
Organizando a vida do paciente com Alzheimer
Avaliar os perigos em potenciais da casa onde vive o paciente é de
fundamental importância. Degraus, maçanetas, quinas e cantos
de móveis, iluminação de corredores e cômodos (manter luzes acesas à
noite), enfim, deve ser realizada uma verdadeira perícia de
segurança no habitat do paciente. Observe cada cômodo e verifiqüe se
existe algum perigo para alguém que está esquecido e confuso.
Por outro lado, decidindo por mudanças, não devemos esquecer que uma
pessoa com a doença de Alzheimer tem sérias dificuldades para
ajustar-se às mudanças.
Fogão e outros eletrodomésticos podem ser esquecidos ligados ou
usados de maneira errada pelos pacientes, portanto, uma checada
rotineira é importante. Havendo prejuízo mais severo da memória e da
atenção, os botões devem ser cobertos, o registro do gás deve ser
desligado quando o fogão estiver sem uso, da mesma forma que os
aquecedores e fornos microondas devem ser desligados da tomada
quando não estiverem sendo usados. Esse mesmo raciocínio de
dificultar o uso indevido deve ser aplicado em relação aos ferros
elétricos, torradeiras, liquidificadores, ferramentas e outros
equipamentos elétricos. Nas casas com aquecimento de água central, é
importante que a temperatura seja regulada abaixo dos 39 graus. O
paciente pode se queimar no momento de misturar água quente e fria
para o banho. Trancas e chaves pelo lado de dentro das portas devem
ser removidos para facilitar o acesso dos familiares à esses
cômodos. O acesso à banheira e à piscina devem ser fechadas.
Dirigir é perigoso para pessoas com a Doença de Alzheimer, mesmo no
início do quadro. Ter uma programação diária e regular para as
atividades do paciente com a Doença de Alzheimer é de grande ajuda,
pois ele se sente muito mais seguro e orientado com uma rotina
familiar. Exercícios regulares também ajudam a diminuir a
impaciência, além de ajudar dormir melhor. Caminhar é uma boa
maneira do paciente com Doença de Alzheimer se exercitar.
Em relação às atividades, é bom ter em mente que as pessoas com
doença de Alzheimer freqüentemente se aborrecem por querer executar
atividades e não conseguir. Por causa dessa dificuldade pragmática
(para fazer as coisas), faça as tarefas junto com o paciente,
permita que ele faça o máximo que puder por conta própria, mas
esteja pronto para ajudar.
Para fazer um bolo, por exemplo, escolha para ele as atividades que
envolvam várias tarefas simples, fazendo você mesmo as tarefas mais
difíceis, como por exemplo, medir os ingredientes como.
Algumas famílias costumam deixar o paciente tomar suas refeições em
separado do restante da família, mas essa não é uma boa tática. As
refeições são ótimos momentos para a socialização e permite que se
tenha algum controle sobre a quantidade e qualidade do alimento que
o paciente.
Quando o paciente se veste sozinho, escolher o que vestir pode ser
difícil demais para ele e pode também não conseguir escolher as
roupas que combinam.
Procure deixar as roupas que ele usará sobre a cama diariamente e,
se for o caso, entregue uma peça de cada vez, explicando como
vesti-la. O estímulo para que o paciente continue a se vestir
sozinho ou o máximo que consegue é muito importante para evitar uma
apatia por acomodação.
Assim como as refeições podem se transformar num excelente exercício
de ressocialização, também os cuidados higiênicos com barba e cabelo
podem ser melhor aproveitados. Havendo condições, a ida a barbeiros
e cabeleireiros é sempre desejável.
Os Medicamentos
Muitas vezes a informação do paciente de que ele já tomou
determinado medicamento ou que não tomou ainda não são perfeitamente
confiáveis. Ele esquece fácil e tende a fazer confusão. Portanto,
controlar os medicamentos, separando diariamente o tanto de
comprimidos que serão consumidos ao longo do dia pode facilitar as
coisas. Através dessa separação da medicação diária será mais fácil
verificar se estão sendo tomados nas horas e quantidade certas.
Muitos familiares tendem a se indispor com o paciente nessa questão
da confusão com remédios. Lembre que a Doença de Alzheimer
torna difícil para o paciente compreender e ser compreendido, mas
estes problemas são causados pela doença e não são propositais.
As pessoas com Doença de Alzheimer têm dificuldade para entender o
significado do que é dito mas, por outro lado, elas são muito
sensíveis a como as palavras são ditas. Um tom ríspido, agressivo ou
intempestivo pode perturbá-las, ao contrário, um tom calmo pode
dar-lhes segurança. Mantenha um tom positivo na voz sempre que
puder.
Tipo de Assistência
Escolher o tipo mais apropriado de assistência a que o paciente com
Doença de Alzheimer terá é um dos itens mais importante. Dependendo
do estágio da doença e do comportamento da pessoa doente, a
assistência pode variar de visitas diárias a cuidados ininterruptos.
Primeiro determine o grau necessário de assistência, e então decida
qual a melhor maneira de obtê-las.
Normalmente as famílias desses pacientes têm algumas opções:
contratar uma enfermeira ou alguém para cuidar da pessoa,
encaminhá-lo para tratamento em hospitais-dia ou abrigar o paciente
em casas de repouso. Seja qual for a opção escolhida, periodicamente
temos que verificar se ela continua sendo a melhor escolha.
Questões legais e financeiras devem ser levadas em consideração.
Chegará o momento em que a pessoa com Doença de Alzheimer não estará
mais apta para tomar decisões. É bom estarmos preparados para isto.
Converse com ela a respeito destas questões o mais cedo possível,
enquanto ela ainda pode entender seus objetivos e concordar em fazer
mudanças. Se puder contate um advogado especializado, ele poderá
ajudá-lo no planejamento legal e financeiro.
Ballone GJ - Doença de Alzheimer - in. PsiqWeb
Psiquiatria Geral, Internet, disponível em
<
http://www.psiqweb.med.br/geriat/alzh.html > atualizado em 2002
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Não deixem de ler no site a revisão feita em 2008
http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=117
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