A LENDA DAS CORUJAS

Durante a história da humanidade, as corujas simbolizaram algumas vezes o conhecimento, a sabedoria, e outras a morte ou uma ligação com um mundo espiritual. Na maioria das culturas ocidentais, as opiniões sobre as corujas se transformam com o decorrer dos tempos. Servem tanto para mostrar as condições do habitat como podem indicar o comportamento cultural e religioso local e de como o ser humano se relaciona com a terra.

 

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Encontramos a figura da coruja representada nas mais variadas formas de cultura, como por exemplo entre os Cherokees norte-americanos, no folclore russo, no mexicano e até entre os aborígines da Austrália.

Em muitas dessas culturas, as corujas simbolizaram o mal, o demoníaco, ou uma ligação com a morte e por isso eram temidas, atacas e mortas. Hoje, ainda temos várias lendas com as mesmas conotações mas, a coruja, possui agora um grande respeito com a compreensão dos papeis que ela ocupou no desenvolvimento cultural de cada povo.

Uma de nossas lendas indígenas, conta que no começo do mundo só havia o dia. A noite estava adormecida nas profundezas do rio com Boiúna, cobra grande que era senhora do rio. A filha de Boiúna se casou com um rapaz de outra tribo mas não dormia com ele porque nunca era noite. Até que um dia o rapaz mandou 3 amigos buscar a noite no fundo do rio. Boiúna entregou a noite dentro de um caroço de tucumã. Na volta eles abriram o caroço, deixando a noite escapar e tudo escureceu.

A moça então resolveu separar a noite do dia e pegou um fio de seu cabelo transformou-o em ave e disse:

- Tu serás cujubin e cantaras sempre que a manhã estiver chegando.

Depois pegou outro fio, transformou-o em ave e disse:

- Tu serás coruja e cantarás sempre que a noite chegar.

E assim o dia passou a ter dois períodos.
 


FUNDAÇÃO PARQUE ZOOLÓGICO DE SÃO PAULO
Oriel Nogali
Biólogo do Setor de Aves

 

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