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A EROTIZAÇÃO DA INFÂNCIA:
EDUCADORES DISCUTEM O QUE FAZER
DIANTE DO
FENÔMENO DE SUA SENSUALIZAÇÃO
Mariana, 9 anos, acorda às 6:00h da manhã para se maquiar, se perfumar,
pintar as unhas e ir à escola de mini-saia, tamanquinho e brincos. Foi parar
no consultório da psicanalista, depois que os professores reclamaram do
comportamento sensual de Mariana com os coleguinhas, os quais provocava com
beijinhos e toques corporais.
Mariana é vítima da erotização precoce, fenômeno que atinge milhões de
crianças.
"A infância se caracteriza pôr ser o primeiro período de proteção e
aprendizado.
No Brasil, a fronteira entre liberdade e proteção parece não ter sido ainda
delimitada.
Em nome da maior liberdade com o corpo, nossas crianças estão tendo o
direito a infância roubado.
Esta situação de sensualização precoce provoca aumento de ansiedade nos
pais, estimula a violência sexual infantil, a iniciação sexual precoce, a
pedofilia e, nas classes baixas, a prostituição infantil".
A psicanalista gaúcha Norma Escosteguy, adverte que a sexualização precoce
trará prejuízos emocionais e éticos sem precedentes.
"Se a criança for estimulada a imitar a sexualidade adulta, sem condições
reais para isto, o excesso de excitação poderá diminuir seu interesse e sua
capacidade para pensar, para se sentir capaz, para se desenvolver
gradativamente e para ter noções de sua identidade".
A infância, às vezes, é roubada pelos próprios pais.
A multidão de crianças que rebolam eroticamente em festinhas e nas escolas
está assustando psicanalistas e professores, que apontam os pais como responsáveis
pelo que chamam de roubo da infância.
Esta expressão também foi usada pela psicanalista Lulli Milman, que se diz
chocada com a conduta pseudoliberal dos pais, que roubam a infância dos
filhos para que eles realizem suas próprias fantasias sexuais.
"Tomo conhecimento de casos que estão me assustando.
Um exemplo é o de uma menina de 10 anos que disse à mãe que estava
namorando um menino de sua sala. Esta mãe, a pretexto de
"controlar" a situação, resolveu trazer o garoto para dentro de
casa, para que eles namorem sob vigilância. Esta mãe está empurrando a
filha para o sexo".
MENINOS DE 10 ANOS JA PENSAM EM TER RELACÕES SEXUAIS.
O número de meninos entre 10 e 11 anos que aparecem na clínica social da
UERJ totalmente ansiosos para ter experiências sexuais, embora não tenham
maturidade biológica para tanto, também assusta. "A angústia desses
meninos é preocupante. Por quê, ao invés de brincar, eles deram este salto
para a sexualidade genital que não tem condições de realizar?". A
coordenadora Rosa Martins, do jardim Escola Vilhena de Moraes, no Leblon, Rio
de Janeiro, disse que chamou a atenção de uma mãe que transformou a bermuda
da escola da filha de 5 anos num "shortinho sexy". "A mãe
cortou até o logotipo do colégio, que fica na barra da bermuda.
Tive que dizer a ela que não podia mutilar o uniforme.
Tem cabimento uma menina vir para a escola com o bumbum quase de fora? Os pais
devem ter discernimento para dar limites ao que é oferecido pela TV. Por que
comprar botas e tamancos, que prejudicam o movimento da criança? Os pais têm
que aprender que o bem estar da criança vem em primeiro lugar".
O QUE OS PAIS DEVEM SABER.
A psicóloga Sofia Sarue, explica que a faixa etária dos 5 aos 12 anos é
chamada de fase de latência, período em que as questões relativas à
sexualidade ficam submersas, para que a criança possa desenvolver os seus
ideais estéticos, o raciocínio matemático e entre no mundo das letras. O
estímulo à sexualização nesta idade poderá trazer prejuízo imediato ao
aprendizado da criança, especialmente ao processo de alfabetização.
Norma Escosteguy lembra que a criança se forma a partir de sua experiência
com os pais. A TV e seus personagens não conseguem preencher os vazios
deixados pela ausência de companhias adultas afetivas e pensantes, o que
realmente enriquece as relações humanas. A responsabilidade pela erotização
precoce não seria da TV, mas dos pais que deixam os filhos assistirem a
programas impróprios.
RISCOS: Uma criança erotizada pelos pais na infância vai deslocar para a
sexualidade toda a sua afetividade.
Ao chegar na adolescência, quando os impulsos conduzem naturalmente à
sexualidade, esta criança poderá lidar com questões sexuais de maneira
precipitada, patológica, correr risco de contrair doenças graves.
O pior dos prejuízos serão as relações pouco gratificantes e efêmeras,
que não alcançam a afetividade, ausente em toda a infância. DEPRESSÃO: O
excesso de estímulo sexual pode gerar um efeito o posto na chegada à
puberdade. Sofia Sarue diz que a mãe que insiste em ser Tiazinha através da
filha, porque já não tem corpo ou idade para tanto, ou o pai que empurra o
filho para desejar a Tiazinha, porque já não consegue se expressar
sexualmente, podem criar um adolescente inibido, que não sabe lidar com sua
sexualidade, prefere o isolamento e é vitima de violentas depressões. A
grande verdade é que os pais de hoje estão confundido alguns conceitos.
Ser um pai "moderninho" não significa necessariamente ser um pai
totalmente "permissivo".
Vivemos num mundo onde o jovem pode tudo. Tudo lhe é permitido. Podem sair
com quem querem, voltar quando querem.
Quantos de nós já não estamos acostumados com aquelas crianças que ficam
até altas horas da noite debaixo do nosso bloco ou nas quadras de futebol
jogando, conversando, namorando, fumando, e por aí vai?
Será que os pais dessas crianças sabem onde elas realmente estão?
Ou o que elas estão fazendo? A verdade é que muitos nem querem saber.
Trabalharam o dia inteiro e estão muito cansados para se preocuparem e, além
do mais, o que há de errado nisso? Todas as crianças hoje em dia fazem essas
coisas. Não é assim?
Se os outros garotos ficam até tarde na rua, falam palavrão o tempo todo (na
frente de quem quer que seja), adoram games violentos, passam horas diante da
TV assistindo filmes que fazem questão de explorar o sexo e a violência, por
quê o meu filho não pode? "Isso é tão normal". É muito comum
ouvirmos essa frase de algumas pessoas.
Talvez eu esteja enganada mas, às vezes, noto um certo comodismo por parte de
alguns pais. Criar filhos, como muitas pessoas dizem, dá muito trabalho, é
muito cansativo. É muito mais fácil deixar que eles saiam com quem querem e
quando querem do que ter que ficar acompanhando, procurando saber com que tipo
de pessoas nossos filhos estão andando. Saber, por exemplo, o que ficam
fazendo até tarde na rua (será que estão incomodando os vizinhos...?), que
tipo de festas nossos filhos freqüentam?
É muito mais fácil deixar que assistam todo e qualquer tipo de programação
na TV do que ter que ficar se preocupando em controlar seus horários. Deixe
que assistam a filmes com alto teor de violência, afinal de contas a violência
faz parte da vida.
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